Zambelli acusa Alexandre de Moraes de perseguição durante depoimento
Carla Zambelli depõe remotamente na CCJ sobre possível cassação de mandato
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 24/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Nesta quarta-feira (24), a deputada federal Carla Zambelli, do PL de São Paulo, foi ouvida pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. O processo em questão envolve a possível cassação de seu mandato, e durante seu depoimento, realizado de forma remota a partir de um presídio na Itália, Zambelli denunciou o que considera uma perseguição por parte do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), referindo-se a ele como “bandido“.
“Eu percebi essa perseguição quando começaram a adotar medidas extremas contra mim. Fui forçada a pedir desculpas no Facebook e meu depoimento no programa Pânico foi deletado. Durante essa entrevista, afirmei que Moraes atuou como advogado das vans do PCC, e ali percebi que estava lidando com uma pessoa que se comportava como um bandido“, declarou Zambelli.
Vale destacar que Alexandre de Moraes já representou legalmente uma cooperativa de vans em São Paulo, a qual mais tarde foi investigada por suas supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante sua fala, a deputada, vestindo um moletom cinza, expressou confiança de que não permanecerá presa por muito tempo. “Este processo é injusto e acredito que em breve estarei fora deste presídio”, afirmou.
Sobre sua prisão na Itália, Zambelli mencionou que seu objetivo era demonstrar confiança na justiça italiana enquanto tentava explicar as circunstâncias que envolvem sua situação no Brasil. Em maio, o STF condenou-a à perda do mandato e a dez anos de prisão por envolvimento em uma invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto.
Delgatti foi responsável pela emissão de uma ordem de prisão falsa contra Moraes, alegando ter agido sob orientação da deputada. Zambelli negou ter colaborado na redação desse documento e assegurou que tomou conhecimento da invasão apenas após os eventos terem ocorrido. O documento em questão foi encontrado em seus dispositivos eletrônicos.
Em relação à sua conexão com Delgatti, a deputada afirmou não ter proximidade com ele e contestou as alegações de que o hacker teria se hospedado em seu apartamento funcional. A justificativa para seu contato com Delgatti era investigar a possibilidade de fraudes nas urnas eletrônicas, uma preocupação que ela tem defendido há anos.
Zambelli também relatou dificuldades financeiras decorrentes do bloqueio de seus salários e da vaquinha criada para apoiá-la, além das contas do marido e das redes sociais do filho também terem sido afetadas. “Ele [Moraes] quis atingir toda a minha família”, disse.
Questionada sobre arrependimentos, a deputada mencionou sua ação polêmica em perseguir um homem armado antes das eleições de 2022. Ela afirmou que se sentia culpada após ouvir Jair Bolsonaro atribuir sua derrota a esse incidente.
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) criticou a condução do depoimento da Zambelli, chamando-a de foragida e sugerindo que não houve coordenação adequada entre as autoridades diplomáticas brasileiras e italianas. O presidente da CCJ, Paulo Azi (União Brasil-BA), defendeu o procedimento baseado no direito à ampla defesa.
Zambelli e Delgatti foram condenados pelo STF pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Inicialmente, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia afirmado que homologaria rapidamente a ordem de cassação, mas recuou após pressão interna e enviou o caso para análise da CCJ.
A deputada fugiu do Brasil passando pela Argentina e pelos Estados Unidos antes de ser presa na Itália no final de julho. Ela agora aguarda decisão sobre seu processo de extradição enquanto permanece detida em um presídio em Roma.
O depoimento encerra a fase de instrução do caso; o relator Diego Garcia (Republicanos-PR) terá cinco sessões para apresentar seu parecer. A votação final sobre a possível cassação do mandato caberá ao plenário da Câmara, onde será necessária uma maioria qualificada de 257 votos.
Antes do depoimento da deputada, três testemunhas indicadas por sua defesa foram ouvidas pela CCJ: Delgatti; Michel Spiero, especialista em provas digitais; e Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes. No entanto, nem todas as testemunhas sugeridas por Zambelli concordaram em depor.
A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que Zambelli planejou e orquestrou junto com Delgatti uma invasão aos sistemas do CNJ com o intuito de emitir alvarás falsos e gerar confusão no Judiciário.
A situação envolvendo a cassação divide opiniões dentro da própria bancada do PL. Alguns parlamentares acreditam que haverá votos suficientes para salvá-la caso o relatório indique pela não cassação; outros argumentam que mesmo se não for extraditada, Zambelli não poderá exercer seu mandato enquanto estiver na Itália.