Yanomami vê queda de 27,6% em óbitos com reforço na saúde

Aumento de 169% em profissionais e novos centros impulsionam resultados históricos no território Yanomami.

Crédito: Rafael Nascimento/MS

A resposta à emergência de saúde Yanomami, declarada em 2023 pelo Ministério da Saúde, apresenta resultados expressivos. Entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2025, a mortalidade no território caiu 27,6%.

Este sucesso é reflexo direto do fortalecimento da capacidade de resposta local: o número de profissionais de saúde saltou 169%, alcançando 1.855. Isso permitiu que os atendimentos médicos mais que dobrassem desde 2023, atingindo 19,1 mil apenas na primeira metade de 2025.

Os dados, provenientes do Informe 8 do Centro de Operações de Emergências (COE), mostram quedas drásticas em causas de morte específicas: óbitos por malária caíram 70%, por desnutrição 70,6%, e por infecções respiratórias 40,8%.

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O impacto do reforço nas equipes

O levantamento do COE detalha o salto de 690 profissionais no início de 2023 para 1.855 atualmente. Esses profissionais atuam diretamente no território e na Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista.

Com mais equipes, os atendimentos gerais saltaram de 441 mil (1º semestre de 2023) para mais de 470 mil (1º semestre de 2025).

Fundamentalmente, os atendimentos médicos específicos, que eram 8.341 (1º semestre de 2023), atingiram 21.131 em 2024 (um aumento de 246%) e se consolidaram em 19.184 em 2025. Isso foi possível porque o número de médicos no território passou de apenas seis para 63 no primeiro semestre de 2025.

Mais atendimento local, menos remoções de urgência

O fortalecimento da saúde Yanomami no próprio território permitiu uma redução de 25% nas remoções de urgência e emergência (de 1.817 para 1.364 casos), comparando o primeiro semestre de 2024 com o de 2025.

Em contrapartida, as remoções eletivas (programadas) quase dobraram no mesmo período, passando de 231 para 447.

Isso indica maior capacidade de resposta local e um fortalecimento da atenção primária, resolvendo mais casos na própria aldeia e planejando melhor os deslocamentos necessários.

Avanços contra malária e desnutrição

O combate à malária, um dos eixos da crise de saúde Yanomami, viu os óbitos caírem de 10 (1º semestre de 2023) para 3 (1º semestre de 2025), uma redução de 70%.

A chave foi a ampliação da testagem (uso de testes rápidos e busca ativa), que aumentou 103,7% desde 2023, chegando a 160.085 testes no primeiro semestre de 2025. A letalidade da doença também caiu progressivamente.

Na frente nutricional, o acompanhamento de crianças menores de cinco anos subiu de 67% para 81,7% entre 2023 e 2025.

Atualmente, 49,7% das crianças apresentam peso adequado (contra 47% em 2023). Mais importante, a faixa de “muito baixo peso” recuou de 24,5% para 19,8% entre 2024 e 2025, mostrando uma recuperação nutricional gradual.

Yanomami vê queda de 27,6% em óbitos com reforço na saúde
Rafael Nascimento/MS

Controle de infecções respiratórias e vacinação

Houve um aumento de 325% nos atendimentos por infecções respiratórias agudas (IRA) no primeiro semestre de 2025 (13.176 atendimentos), comparado ao mesmo período de 2023.

Esse aumento na detecção e tratamento levou a uma redução de 89,9% na letalidade e de 45,5% no número de óbitos por IRA desde o início da resposta à emergência.

A vacinação também se consolidou. O Esquema Vacinal Completo (EVC) entre menores de 1 ano foi de 32,2% (2023) para 57,8% (2025). Entre menores de 5 anos, evoluiu de 53,5% para 73,5% no mesmo período, um pilar vital para a saúde Yanomami.

Nova infraestrutura e combate ao mercúrio

Em setembro de 2025, entrou em operação o primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI) do Brasil, em Surucucu (RR), com investimento federal de R$ 29 milhões.

O CRSI já realizou 1.537 atendimentos ambulatoriais e 90 de urgência, resolvendo 71,1% dos casos localmente e evitando 64 remoções para Boa Vista.

Além disso, foi criada em 2024 a Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas (URHPI) em Boa Vista, com 36 leitos culturalmente adequados.

O governo também foca na contaminação por mercúrio. Em maio de 2025, foi lançado o Manual Técnico para o Atendimento de Indígenas Expostos ao Mercúrio.

A estratégia para a saúde Yanomami inclui investimentos de R$ 222 milhões em saneamento e água segura na Amazônia Legal (2023-2025), beneficiando 142 mil indígenas, além da distribuição de milhares de filtros.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 12/11/2025
  • Fonte: FERVER