Warner Bros. avalia nova oferta da Paramount
Gigante de mídia analisa proposta melhorada que cobre multas e dívidas, colocando em risco acordo bilionário anterior com a Netflix.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 16/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Warner Bros. Discovery iniciou uma avaliação criteriosa sobre a reabertura das negociações com a Paramount após receber uma nova proposta na semana passada. Duas fontes confirmaram que a movimentação ocorre mesmo diante do contrato vigente com a Netflix.
Em dezembro, o conglomerado aceitou vender seus estúdios e operações de streaming para a Netflix por US$ 83 bilhões. Naquela ocasião, a diretoria rejeitou uma oferta de US$ 108 bilhões da Paramount, que incluía o negócio de TV a cabo. A justificativa foi o alto risco percebido na operação. No entanto, a Paramount ajustou sua estratégia e apresentou melhorias significativas aos acionistas da Warner Bros., mantendo o preço por ação original.
Warner Bros. recebe garantias financeiras da Paramount
Para mitigar as preocupações anteriores, a Paramount concordou em cobrir a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que seria devida à Netflix caso o acordo atual fosse desfeito. A nova oferta também prevê que a Paramount assuma os custos da dívida da Warner Bros. Discovery, removendo um grande obstáculo financeiro.
Além da cobertura de custos, a proposta inclui incentivos diretos de capital:
- Pagamento de US$ 650 milhões em dinheiro aos acionistas;
- Repasses trimestrais a partir de 2027 caso a fusão não seja concluída no prazo.
O conselho da Warner Bros. debate agora se essas alterações configuram uma “oferta superior”. Uma cláusula específica no contrato com a Netflix permite que a empresa busque propostas desse tipo, desde que notifique a parceira atual. Caso as negociações sejam reabertas, a Netflix terá oportunidade de cobrir a oferta até o dia 25 de fevereiro.
Pressão de investidores e cenário político
A hesitação em fechar o negócio com a Netflix tem gerado críticas. A empresa de investimentos Ancora manifestou-se contra o acordo atual, utilizando uma imagem de Marlon Brando em “O Poderoso Chefão” para sugerir que a Warner Bros. deveria considerar a proposta da Paramount “irrecusável”.
As preocupações envolvem a perda do valor dos ativos de TV a cabo e o escrutínio regulatório. Neste ponto, a Paramount pode ter vantagem nos Estados Unidos. A empresa é liderada por David Ellison, filho de Larry Ellison, que mantém relações amigáveis com Donald Trump. Esse alinhamento pode facilitar a aprovação em um governo com interesse no setor de mídia, ao contrário do cenário enfrentado pela Netflix.
O mercado financeiro reagiu à incerteza. As ações da Warner Bros. Discovery caíram cerca de 1,8% desde o início do ano, um desempenho ainda superior ao da Netflix, que registrou queda de 15%.
Atualmente, a companhia aguarda a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (SEC) para agendar a votação dos acionistas. Se o conselho mantiver o acordo com a Netflix, a decisão deve ocorrer em meados de março. Contudo, a nova ofensiva da Paramount coloca a Warner Bros. diante de uma escolha decisiva para o futuro do entretenimento global.