Wagner Moura diz que sem Bolsonaro ‘O Agente Secreto’ não existiria
No The Daily Show, o ator explicou como a gestão passada inspirou o longa de Kleber Mendonça Filho sobre a ditadura militar.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Em entrevista impactante ao programa The Daily Show na última sexta-feira (16), Wagner Moura discutiu as raízes políticas de ‘O Agente Secreto‘ e suas conexões com a história recente do Brasil. Conduzida por Jordan Klepper, a conversa explorou como a trama, ambientada em 1977 durante a ditadura militar, dialoga diretamente com o cenário sociopolítico atual.
O ator, recentemente aclamado com dois prêmios no Globo de Ouro, destacou que a obra dirigida por Kleber Mendonça Filho vai além do entretenimento. Ela investiga a integridade de um homem pressionado a trair seus princípios. Segundo o artista, embora o regime militar tenha terminado oficialmente em 1985, seus resquícios continuam moldando a sociedade.
Wagner Moura analisa ecos da ditadura na política
Para o ator, a eleição de um governo de extrema-direita em 2018 não foi um acidente, mas um reflexo não resolvido do passado. Wagner Moura foi categórico ao afirmar que o ex-presidente atua como uma “manifestação física desses ecos”, o que torna o debate sobre a memória nacional urgente e necessário.
Durante um momento agudo da entrevista, o artista relembrou seu agradecimento irônico a Jair Bolsonaro em Cannes. Ele explicou que o filme nasceu da perplexidade compartilhada com o diretor diante dos eventos políticos ocorridos entre 2018 e 2022.
Os principais pontos levantados pelo ator incluem:
- A ascensão da extrema-direita como tentativa de reverter valores democráticos.
- A promoção de ideais saudosistas da ditadura militar.
- A arte como ferramenta de resposta à turbulência política.
Essa análise reforça a posição de Wagner Moura como uma das vozes mais ativas da cultura brasileira no exterior, utilizando sua visibilidade para pautar discussões sobre democracia e história.
Críticas à Lei da Anistia e o futuro do país
A conversa com Klepper também abordou a impunidade histórica. O ator criticou duramente a Lei da Anistia de 1979, argumentando que ela isentou torturadores e criminosos de guerra, prejudicando gravemente a memória coletiva do Brasil. “Existem questões que não podem ser esquecidas ou perdoadas”, pontuou.
Apesar da análise crítica, o tom final foi de otimismo. A responsabilização recente de figuras que atentaram contra o Estado Democrático de Direito sinaliza, na visão do artista, um processo de cura. Ao encerrar sua participação, Wagner Moura expressou esperança de que as consequências enfrentadas pelo ex-presidente representem um novo começo para as futuras gerações.