Volta às aulas: dicas práticas para uma transição leve e sem estresse

Diálogo, rotina e acolhimento emocional ajudam crianças e famílias a retomarem o ritmo escolar após o período de férias

Crédito: (Imagem: Freepik)

A volta às aulas costuma mexer com a rotina das famílias e, especialmente, com o emocional das crianças. Depois de semanas longe dos horários fixos, das atividades escolares e da convivência diária com colegas e professores, a readaptação pode gerar insegurança, ansiedade e resistência nos primeiros dias. Especialistas em educação alertam que esse processo tende a ser mais tranquilo quando começa ainda durante as férias, de forma gradual e respeitando o tempo de cada criança.

Preparação emocional começa antes da volta às aulas

Para a pedagoga Giuliana Ferreira Padovani, do Colégio Jean Piaget, de Ribeirão Pires, a preparação emocional para a volta às aulas é tão importante quanto a organização prática. “A criança precisa se sentir segura. Conversar sobre a escola de forma positiva, validar sentimentos e lembrar das experiências boas ajuda a transformar o medo do retorno em expectativa”, explica. Segundo ela, envolver os filhos na organização do material escolar e na retomada da rotina doméstica contribui para que se sintam parte do processo.

Um dos principais ajustes envolve os horários de sono e alimentação. A recomendação é iniciar essa mudança de uma a duas semanas antes do início das aulas, antecipando gradualmente o horário de dormir. “O ideal é ir ajustando aos poucos, de 15 a 30 minutos por noite, para evitar um choque brusco na primeira semana de volta às aulas”, orienta Giuliana. O mesmo cuidado vale para as refeições, que devem voltar a seguir horários mais próximos aos do período letivo.

A mestre em Educação e psicopedagoga Oswana Famelli, do Centro Educacional Paineira, em Santo André, reforça que a rotina é um elemento estruturante para a criança, mesmo durante as férias. “Não é só a criança que se adapta. A família inteira precisa retomar uma organização. Quanto antes isso começar, menos desgastante será o retorno”, afirma. Para ela, permitir que a criança participe da preparação para a volta às aulas, como separar materiais ou conversar sobre as férias, fortalece o sentimento de pertencimento ao grupo escolar.

Ansiedade infantil se manifesta no corpo

Ansiedade Infantil - Volta às aulas
(Imagem: Freepik)

Durante esse período de transição para a volta às aulas é comum que sinais de ansiedade infantil apareçam de forma física ou comportamental. Dores de barriga sem causa aparente, alterações no sono, mudanças no apetite, choro excessivo ou recusa intensa em ir à escola estão entre os sinais mais frequentes. “Muitas crianças ainda não conseguem nomear o que sentem, então o corpo acaba expressando essas emoções”, explica Giuliana. A orientação, nesses casos, é observar, acolher e manter o diálogo aberto.

Oswana destaca que mudanças sutis no comportamento também merecem atenção. Crianças mais quietas, tristes ou irritadas podem estar sinalizando insegurança. “Antes de corrigir o comportamento, é preciso criar espaço para que a criança se expresse. Brincadeiras, histórias e jogos ajudam muito nesse processo”, afirma. Segundo ela, transmitir segurança é fundamental para que a criança enfrente a nova rotina com mais confiança.

O uso de telas também entra no radar das famílias nesse período. A redução gradual, especialmente à noite, contribui para melhorar a qualidade do sono, já que diminui a exposição à luz azul, que interfere no descanso. Giuliana defende que esse ajuste seja feito antes do início das aulas. Já Oswana chama atenção para o papel dos adultos. “Muitas vezes, a dificuldade não é da criança, mas dos pais em estarem mais presentes. O uso da tela precisa ser acompanhado e consciente”, avalia.

Choros e resistência nos primeiros dias de aula são considerados esperados, principalmente na educação infantil ou em momentos de transição, como o ingresso em um novo ciclo. O importante, segundo as especialistas, é manter limites claros, acolher os sentimentos e evitar atitudes que aumentem a insegurança, como a superproteção. A parceria entre família e escola também faz diferença nesse processo, garantindo escuta, acolhimento e acompanhamento conjunto.

Quando é hora de buscar ajuda

Volta às aulas
(Imagem gerada por IA via ChatGPT )

Quando os sinais de sofrimento se prolongam por semanas, com regressões no desenvolvimento, sintomas físicos recorrentes ou bloqueios no aprendizado, a orientação é buscar apoio especializado. Com planejamento, sensibilidade e diálogo, a volta às aulas pode deixar de ser um momento de tensão e se transformar em um recomeço mais leve para crianças e adultos.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 20/01/2026
  • Fonte: Fever