Voleibol Brasileiro: 30 anos depois a história se repete
Artigo de *Ronê Paiano
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 14/10/2014
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Para aqueles apaixonados pelo voleibol e com mais de 40 anos de idade, como eu, não há como não comparar a derrota da seleção feminina de vôlei por 3×0 na semifinal para os Estados Unidos com a derrota da seleção masculina na final dos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles, há 30 anos.
Nas duas situações éramos os favoritos, havíamos vencido nossos oponentes por 3×0 no confronto anterior e fomos derrotados por 3×0 no confronto posterior, sendo o decisivo. Os nossos adversários, novamente americanos, fizeram um jogo perfeito, mas nós…
Se aquela derrota foi a última oportunidade da geração – que ficou posteriormente conhecida como geração de prata – de conquistar uma medalha de ouro, para algumas jogadoras do vôlei feminino, bicampeã olímpica, também foi a última chance do ouro mundial.
Dificilmente daqui a quatro anos, no próximo mundial, poderemos ter tantas jogadoras na faixa dos 35 anos como Fabíola, Jaqueline, Sheila, Fabiana e Dani Lins, mas em dois anos, nos Jogos Olímpicos de 2016 (Rio de Janeiro), será perfeitamente possível “brigar”, com o apoio da torcida, pelo inédito tricampeonato olímpico.
Este mundial feminino foi uma verdadeira maratona de jogos, incluindo a disputa da medalha de bronze, no qual superamos a Itália e sua enorme torcida em um jogo emocionante e cheio de alternativas. As meninas brasileiras mostraram muita garra, determinação e superaram os desgastes e a distância de casa.
O lugar no pódio do voleibol feminino brasileiro e a conquista do Grand Prix Feminino este ano mantém a equipe do técnico José Roberto Guimarães (único campeão olímpico no masculino e feminino) na elite mundial da categoria. Se, por um lado, há tristeza com a derrota, isto não deve impedir as meninas de se aventurarem na prática esportiva, muito menos irá desestimular os pais a propiciarem uma oportunidade de prática esportiva às suas filhas.
O caminho trilhado por Maria Lenk, primeira mulher sul-americana a competir nas Olimpíadas de Los Angeles (1932) pode dar a falsa impressão que o envolvimento da mulher brasileira no esporte, atualmente, seria uma tarefa natural. Grande engano. Ser mulher atleta no Brasil não é nunca foi tarefa fácil.
Vítimas de preconceito e privadas, por muitos anos, de práticas que poderiam prejudicar a sua “natureza”, ser atleta no nosso País significa competir não apenas com adversárias, mas também contra a dupla jornada, o tempo escasso, as cobranças familiares fazendo com que muitas atletas acabem ficando pelo caminho.
Aproveitamos, então, para deixar uma importante dica aos pais: se quer fazer algo bom para sua filha incentivem a prática do esporte. Pesquisa feita pela socióloga americana Hilary Levey Friedman, da Universidade Harvard, cita que as profissionais que praticaram esportes quando meninas, se tornam mais aptas a serem líderes na vida profissional.
De acordo com um estudo da Fundação Oppenheimer, ligada à educação, só 16% das mulheres americanas praticam esportes competitivos, mas no universo das executivas bem-sucedidas esse percentual sobe para 55%.
E não se preocupe com os ingênuos e preconceituosos que acham que a prática esportiva descaracteriza a mulher, pois não existiu nada mais belo do que a garra, a dedicação e o olhar determinado das atletas brasileiras.
*Ronê Paiano é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie ministrando aulas nos Cursos de Educação Física e Pedagogia. Possui graduação em Educação Física pela Universidade do ABC (1986) e mestrado em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1998). Tem vasta experiência na Educação Física Escolar tendo atuado como professor e Coordenador da área de Educação Física e Esporte (1987 a 2005).