Vivências no SUS terá participação de 9 mil estudantes

Com 9 mil estudantes e 300 projetos, nova edição do Vivências no SUS foca na integração entre ensino e serviço em todo o território nacional.

Crédito: Walterson Rosa/MS

O Ministério da Saúde oficializou, nesta quinta-feira (8), o lançamento da maior jornada de imersão acadêmica no sistema público de saúde já registrada: o Programa Nacional de Vivências no SUS (VER-SUS). A cerimônia, realizada na Fiocruz, marcou o início de uma mobilização que envolverá cerca de 9 mil participantes, entre estudantes de graduação, residentes e alunos de cursos técnicos. A iniciativa, que conta com a parceria da OPAS e da Rede Unida, consolida-se como a principal estratégia de educação pelo trabalho da atual gestão.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Vivências no SUS é uma ferramenta de transformação que vai além dos currículos tradicionais. “O programa oportuniza conhecer uma realidade que não vem nos livros. Os estudantes participam da dinâmica da comunidade e da gestão, tornando-se profissionais mais experientes e sensíveis às realidades locais”, afirmou o ministro durante o evento.

Fortalecimento do ensino e pesquisa através do Vivências no SUS

A edição de 2026 do Vivências no SUS contempla 300 projetos distribuídos por todas as regiões do Brasil. O foco central é a qualificação profissional por meio da prática direta, incentivando a produção de conhecimento científico aplicado. Ao vivenciarem o cotidiano das unidades de saúde, os alunos são estimulados a propor novos protocolos de estudo, projetos de pesquisa e intervenções que resolvam gargalos reais do atendimento público.

De acordo com o coordenador-geral da Rede Unida, Alcindo Ferla, o programa ativa a ideia da educação permanente. “Essa onda de vivências nos ensina a produção de saúde nos territórios e ocupa as universidades, dando visibilidade a segmentos que muitas vezes foram naturalizados como invisíveis”, destacou. O apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reforça o reconhecimento internacional da iniciativa como um modelo de integração ensino-serviço.

Imersão crítica e soluções práticas nos territórios

Os projetos selecionados para o Vivências no SUS possuem uma forte diretriz pedagógica: gerar reflexões críticas sobre o funcionamento da rede pública. Segundo o secretário-adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jérzey Timóteo, o projeto orienta uma mudança necessária no ensino das profissões da saúde no Brasil desde os anos 2000.

A proposta pedagógica do Vivências no SUS inclui:

  • Multiplicação de saberes: 333 facilitadores formados em 2025 atuam agora como líderes locais;
  • Trabalho em equipe: Fomento à cooperação interprofissional nas unidades de saúde;
  • Equidade e Cuidado Integral: Foco no atendimento humanizado e na participação social;
  • Soluções Reais: Transformação do aprendizado teórico em protocolos aplicáveis aos desafios do cotidiano.

Mais de duas décadas de impacto na saúde pública brasileira

Com um histórico de mais de 20 anos, o programa já mobilizou aproximadamente 70 mil estudantes em todo o país. A consolidação do Vivências no SUS como política oficial de educação na saúde, ocorrida em 2023, permitiu que o alcance chegasse aos números recordes apresentados nesta quinta-feira.

A expectativa é que a imersão destes 9 mil novos profissionais resulte em um sistema de saúde mais conectado com as necessidades regionais. Ao integrar instituições de ensino aos sistemas locais e regionais, o Ministério da Saúde garante que a formação acadêmica não ocorra em um vácuo, mas sim em diálogo constante com a complexidade e a diversidade do povo brasileiro.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 08/01/2026
  • Fonte: FERVER