Virada Inclusiva de São Bernardo pede reflexão urgente

Evento que encerrou a Virada Inclusiva reuniu 100 participantes e profissionais em São Bernardo, cobrando mais ações para superar o capacitismo

Crédito: Igor Cotrim/PMSBC

São Bernardo do Campo encerrou nesta quinta-feira (4) a programação de sua Virada Inclusiva com um saldo crucial: a necessidade de uma reflexão aprofundada sobre as necessidades das Pessoas com Deficiência (PCDs) e Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento, realizado no Teatro Cacilda Becker, foi acompanhado por cerca de 100 pessoas e consolidou a importância de ações que vão além das celebrações, focando na real inclusão.

Organizada pelo Comitê Intersecretarial de Direitos da Pessoa com Deficiência e TEA da Prefeitura, a programação foi marcada pelo destaque dado ao aniversário de 10 anos da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que, embora tenha garantido avanços significativos, ainda exige mais em termos de ações práticas e superação de barreiras sociais.

Vozes e Protagonismo: O legado da Virada Inclusiva

O ponto alto do encerramento da Virada Inclusiva foi a mesa-redonda, que promoveu uma rica troca de experiências entre pessoas com deficiência e profissionais de diversas áreas. O debate, conduzido por Alan Mazzoleni, coordenador do Centro de Reabilitação (CER-IV) de São Bernardo, não deixou dúvidas: é preciso fazer mais.

Entre as participantes estavam nomes importantes da luta pela inclusão na cidade e no esporte:

  • Caroline Marques, assessora da Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência e TEA de São Bernardo;
  • A paratleta Verônica Hipólito;
  • A diretora de escola Regiane Dantas.

Caroline Marques, que também é modelo, compartilhou sua jornada de superação, lembrando os temores iniciais em sua carreira, mas ressaltando que “a vida me ensinou que quando carrego uma bandeira não estou sozinha”. Ela frisou que seu trabalho é maior do que a sua presença individual, servindo de visibilidade para todos que precisam ser vistos.

“Foi ali que entendi que a Lei Brasileira de Inclusão trouxe o que é protagonizar para o Brasil, o direito de existir, de viver com dignidade, de ocupar espaços, de ser sujeito da sua própria história. As pessoas subestimam muito a capacidade da pessoa com deficiência,” declarou Caroline durante a Virada Inclusiva, elogiando o apoio do prefeito Marcelo Lima, que, segundo ela, “sempre me olhou enxergando potência”.

As barreiras da Inclusão: da Atitudinal à Tecnológica

Profissionais da área jurídica e de saúde também participaram do debate, como o psiquiatra Felipe Ladeira, a defensora pública Fernanda Rozo e a promotora de Justiça Sirleni Fernandes, ligada à infância e juventude. Sirleni fez um alerta importante sobre a interdependência humana na sociedade, desmistificando a ideia de que a dependência é uma condição exclusiva da pessoa com deficiência.

“Quando se faz uma reflexão um pouquinho mais demorada, a gente percebe que ninguém em sociedade é completamente independente. Todos temos uma interdependência,” afirmou a promotora.

Ela identificou as barreiras da inclusão, começando pela mais urgente: a atitudinal. “Porque é como a gente olha e sente uma pessoa com deficiência. A gente não consegue superar as barreiras de inclusão se não superar a barreira atitudinal,” pontuou.

A promotora ainda incluiu a barreira tecnológica na lista de desafios, alertando que a tecnologia, embora traga avanços, também pode se tornar um fator de exclusão se não for pensada com um olhar inclusivo: “Então, a gente tem que olhar sempre os nossos avanços, mas pensando que temos uma sociedade capacitista e, portanto, como podemos avançar tecnologicamente para não reproduzir esse preconceito.”

Programação Cultural e de Saúde

A Virada Inclusiva de São Bernardo teve sua abertura no dia 2 de dezembro, no Teatro Martins Pena, com uma programação cultural especial que promoveu uma vivência artística inclusiva, incluindo uma camerata com violino e violões, destacando o talento das pessoas com deficiência e da comunidade escolar.

No dia seguinte (3), as atividades da Virada Inclusiva foram transferidas para o Parque da Juventude Città Di Maróstica, com foco em atividades lúdicas, sensoriais e de saúde. A programação incluiu:

  • Apresentação do grupo musical da Saúde Mental ‘Mais com Menos’.
  • Atividades lúdicas e sensoriais pelo TEAcolhe, Centro Especializado em Reabilitação (CER-IV) e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantil.
  • Promoção de saúde com vacinação, orientação em saúde bucal, auriculoterapia, zumba e carimbó, com o programa ‘De Bem com a Vida’.

A diversidade das ações ao longo da Virada Inclusiva reafirmou o compromisso da gestão municipal de São Bernardo em promover a visibilidade e o protagonismo das PCDs em todos os âmbitos da vida social.

  • Publicado: 17/02/2026
  • Alterado: 17/02/2026
  • Autor: 04/12/2025
  • Fonte: Nany People