Virada Cultural amplia estrutura de acesso para público PCD

Com áreas reservadas e audiodescrição, evento na capital paulista oferece segurança e autonomia para pessoas com deficiência nos shows.

Crédito: Prefeitura de SP

A Virada Cultural mobilizou equipes de acessibilidade e montou áreas adaptadas nos palcos de São Paulo neste final de semana. A medida garantiu que pessoas com deficiência acompanhassem as mais de 1,2 mil atrações artísticas com autonomia e segurança.

O evento disponibilizou espaços exclusivos para o público PCD, intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e recursos de audiodescrição. A iniciativa buscou integrar participantes de diferentes regiões da capital durante os espetáculos musicais.

Virada Cultural transforma experiência no palco

No palco de Sapopemba, na Zona Leste, o deficiente visual Leandro Amaral, de 22 anos, assistiu ao show do cantor Dilsinho. Ele vestia uma camiseta com a foto do encontro anterior com o artista na edição de 2023 da Virada Cultural. “Eu gosto muito dele”, resumiu Leandro.

A dona de casa Flávia Vieira acompanhou o filho no mesmo local e elogiou o suporte oferecido pela Prefeitura de São Paulo. “Assim que a gente chegou já vieram avisar que tinha uma área reservada, caso quiséssemos. Quando entramos, nos deram água e o fone”, relatou Flávia.

A moradora apontou a ausência de tumultos na área destinada ao público com deficiência. “A área PCD é bem acessível para eles, sem muvuca e empurra-empurra”, completou a dona de casa.

Acolhimento e geração de renda no centro

O Vale do Anhangabaú recebeu Everaldo dos Santos Antunes, de 53 anos, que possui dificuldade de locomoção. “A gente se sente excluído em muitos eventos, mas a Virada Cultural é diferente. Aqui conseguimos ter segurança e estrutura”, afirmou Everaldo.

O espaço central abrigou profissionais como Cristiane Oliveira, de 42 anos, moradora da Zona Sul. Ela trabalhou na área reservada para pessoas com deficiência e uniu o entretenimento à oportunidade de conseguir renda.

Isso ajuda muito na autoestima e também no orçamento. Temos pouca visibilidade, então essa oportunidade é excelente”, detalhou Cristiane. A trabalhadora classificou o acesso ao local das apresentações como facilitado.

Interpretação e conforto nas zonas periféricas

A presença de intérpretes de Libras exigiu estudo prévio dos repertórios musicais. Naldo Marques atua há oito anos no setor e recebe a lista de músicas antecipadamente. “É muito prazeroso fazer esse trabalho”, contou o profissional.

Henrique Menezes estreou na função durante o festival paulistano. “Precisamos estudar bastante para conseguir passar as metáforas das músicas em Libras para o público surdo”, explicou o intérprete.

No palco da Freguesia do Ó, o professor Thiago Viana Soares, de 34 anos, assistiu à banda Titãs em um local adaptado. Cadeirante, ele atravessou a cidade com a esposa, Cilene, para vivenciar a Virada Cultural.

“Promover uma área acessível não só para cadeirantes, mas para todas as pessoas com deficiência, é fundamental para a inclusão”, argumentou Thiago. O professor defendeu a troca de energia entre os artistas e os espectadores.

A estrutura descentralizada beneficiou moradores de Heliópolis, onde a pedagoga Lígia Oliveira Carvalho dos Santos, de 40 anos, levou o filho com Síndrome de Down. “Sem ele, não teríamos a oportunidade de aproveitar a Virada Cultural com nossos filhos”, finalizou Lígia, referindo-se ao espaço reservado.

  • Publicado: 24/05/2026 12:09
  • Alterado: 24/05/2026 12:09
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Prefeitura de SP