Violência nas escolas do Brasil triplica em dez anos

Pesquisadores pedem ações urgentes para frear agressões e fortalecer ambiente escolar seguro diante da escalada de conflitos e bullying

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A violência nas instituições de ensino do Brasil atingiu patamares preocupantes na última década. Dados recentes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) revelam que o número de atendimentos hospitalares relacionados a casos de violência interpessoal em escolas cresceu mais de três vezes, saltando de 3,7 mil em 2013 para 13,1 mil em 2023. Essa situação, alarmante, foi destacada em uma análise publicada pela Fapesp.

Crescimento de agressões e insegurança nas escolas

As estatísticas não apenas refletem o aumento de agressões físicas e psicológicas no ambiente escolar, mas também levantam um sinal de alerta sobre a crescente crise de segurança que afeta alunos, professores e toda a comunidade educacional. O Ministério da Educação (MEC) classifica as diferentes formas de violência vivenciadas nas escolas, que vão desde ataques planejados até práticas recorrentes como bullying e discriminação. A chamada violência institucional também é uma preocupação, caracterizada pela negligência das instituições em abordar questões cruciais como diversidade racial e de gênero nos currículos pedagógicos.

Além do crescimento nos números de agressões, a sensação de insegurança entre os estudantes tem se intensificado. O Atlas da Violência 2024 indica que o percentual de alunos do ensino fundamental que deixaram de frequentar a escola por medo quase dobrou entre 2009 e 2019, passando de 5,4% para 11,4%. Paralelamente, a incidência de bullying também se agravou, afetando 40,5% dos alunos em 2019, comparado a 30,9% uma década antes.

Fatores sociais, redes extremistas e abandono institucional

Pesquisadores atribuem essa escalada da violência a diversos fatores interligados. A desvalorização da carreira docente e a falta de políticas públicas eficazes para mediar conflitos no ambiente escolar estão entre as principais causas apontadas. Adicionalmente, a normalização de discursos de ódio tem desempenhado um papel significativo nesse contexto negativo.

Outro fator relevante é a influência das redes sociais. Grupos extremistas têm utilizado essas plataformas para disseminar ideologias violentas que impactam diretamente adolescentes e jovens em idade escolar.

Ademais, o cenário fora das escolas agrava ainda mais a situação. Regiões marcadas por altos índices de violência urbana, tráfico de drogas e frequentes tiroteios nas proximidades das instituições educacionais têm contribuído para o adoecimento emocional tanto dos alunos quanto dos profissionais da educação.

Os especialistas consultados pela Fapesp destacam que o desafio atual é a reconstrução de ambientes escolares seguros e acolhedores. Para alcançar esse objetivo, é necessário investir na formação contínua dos professores, fortalecer as redes de apoio psicossocial e implementar mecanismos eficazes para responsabilizar aqueles envolvidos em episódios violentos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 15/04/2025
  • Fonte: Sorria!,