Audiência em Santo André debate violência contra a enfermagem

Debate em Santo André expõe que 355 profissionais sofreram agressões na região. Coren-SP aponta rede pública como principal cenário.

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A violência contra a enfermagem atingiu níveis críticos no Grande ABC e exige uma resposta imediata das autoridades e da sociedade. Para enfrentar esse cenário, a Câmara Municipal de Santo André realiza uma audiência pública decisiva nesta terça-feira (20), das 19h às 21h. O encontro no plenário da Casa busca dar visibilidade às demandas urgentes da categoria.

O objetivo central do evento é traçar caminhos concretos para a construção de ambientes de trabalho seguros. Interessados em participar do debate presencial, localizado na Praça IV Centenário, no Centro, devem realizar inscrição prévia através do site oficial do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).

Dados alarmantes no Grande ABC

Um levantamento estadual recente, realizado entre março e maio de 2025, revela a gravidade da situação local. Dos 7.745 profissionais ouvidos na pesquisa, 355 trabalhadores da região relataram ter sofrido ataques durante o exercício da profissão. Esses números comprovam que a violência contra a enfermagem deixou de ser um caso isolado para se tornar uma rotina perigosa.

São Bernardo do Campo lidera o ranking negativo entre os municípios vizinhos. A distribuição dos casos registrados segue esta ordem:

  • São Bernardo do Campo: 140 casos;
  • Santo André: 90 casos;
  • São Caetano do Sul: 40 casos;
  • Mauá: 38 casos;
  • Diadema: 33 casos;
  • Ribeirão Pires: 11 casos;
  • Rio Grande da Serra: 3 casos.

Perfil das vítimas e tipos de violência contra a enfermagem

O impacto social das agressões reflete vulnerabilidades estruturais. A pesquisa aponta que 85,1% das vítimas são mulheres e 46,5% se identificam como pretos ou pardos. A maioria dos profissionais afetados (81,7%) tem até 50 anos.

Ao analisar a tipificação dos ataques, percebe-se que a violência contra a enfermagem ocorre predominantemente de forma verbal, representando 62,8% dos relatos. Agressões físicas aparecem em segundo lugar, com 26,8%, enquanto a violência psicológica foi citada por 4,8% dos entrevistados.

Rede pública e a barreira da subnotificação

As unidades da rede pública concentram a maior parte dos episódios, respondendo por 66,8% das ocorrências, contra 30,7% na rede privada. Outro dado que assusta é a autoria dos ataques: em 72,7% dos casos, a agressão parte dos próprios pacientes, seguida por episódios envolvendo acompanhantes.

Mesmo com índices elevados, a realidade pode ser ainda pior devido à subnotificação. O levantamento indica que 69,6% dos profissionais do Grande ABC que sofreram abusos não registraram denúncia. Apenas 30,4% formalizaram a ocorrência, o que dificulta o combate efetivo à violência contra a enfermagem.

Sergio Cleto, presidente do Coren-SP, destaca a importância do diálogo com o poder público para reverter esse quadro.

“A violência contra a enfermagem tem impacto direto também na população, que muitas vezes deixa de ser assistida quando o profissional precisa ser afastado. Podemos até chegar em casa cansados, mas não vamos mais aceitar chegar agredidos.”

A expectativa é que a audiência em Santo André resulte em políticas de proteção mais rígidas. Garantir a integridade física e mental de quem cuida da saúde é o único caminho viável para erradicar a violência contra a enfermagem na região.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 18/01/2026
  • Fonte: Fever