Violência em condomínios cresce e bate recorde em São Paulo
Estudo aponta aumento de violência em condomínios de SP, com 1.952 casos em 2025, superando anos anteriores. Especialistas sugerem soluções.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 11/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um estudo revelou um crescimento alarmante dos casos de violência em condomínios na cidade de São Paulo. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, nos primeiros sete meses de 2025, os registros de brigas entre vizinhos e síndicos superaram os números já elevados de 2022.
Após uma queda significativa durante dois anos, a situação se reverteu e os incidentes violentos nos conjuntos residenciais voltaram a escalar. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, o total de ocorrências saltou para 1.952, quase duplicando os registros de cinco anos atrás, quando foram contabilizados 985 casos em janeiro a julho de 2020.
Nos últimos cinco anos, foram registrados 9.338 casos de violência em condomínios

Ao longo dos últimos cinco anos, as autoridades paulistanas documentaram 9.338 casos de violência em condomínios, resultando em uma média de aproximadamente cinco incidentes por dia nas delegacias da capital. Dentre esses, as lesões corporais despontaram como o delito mais frequente em 2025, com um total de 941 ocorrências – um aumento significativo de 31% em relação ao ano anterior.
Entretanto, a injúria continua a ser o crime mais comum registrado na análise feita pela reportagem, com 3.963 ocorrências nos últimos cinco anos, superando as lesões corporais que somaram 3.702 registros no mesmo período.
A troca de ofensas entre moradores também se intensificou nos últimos anos. No primeiro semestre de 2020, foram reportados 496 casos de injúria; esse número cresceu para 549 em 2021 e subiu drasticamente para 916 em 2022. Em contrapartida, a situação parecia melhorar em 2023 e 2024, quando as trocas de xingamentos diminuíram para 686 e depois para 605 casos, respectivamente.
No entanto, os dados mais recentes indicam uma nova alta: até julho de 2025, foram registrados já 711 casos de injúria, refletindo um aumento preocupante de 43,3% em relação aos anos anteriores.
Outros delitos em condomínios também teve crescimento
Dentre outros crimes notáveis nos condomínios, a lesão corporal teve seu auge em 2022 com um total de 740 ocorrências, mas voltou a crescer em 2024 e 2025, atingindo respectivamente 717 e 941 registros. A calúnia também apresentou um crescimento considerável ao longo dos anos: subiu para mais de cem casos pela primeira vez em 2022 e alcançou um recorde de 136 ocorrências em 2025.
A difamação acompanhou essa tendência ascendente; enquanto apenas 85 casos foram registrados entre janeiro e julho de 2020, esse número praticamente dobrou para 159 em igual período de 2025.
Fatores contribuintes para o aumento da violência
Especialistas apontam que a pandemia de covid-19 pode ter exacerbado esses conflitos. A psicanalista Cintia Castro destaca que o confinamento forçado fez com que as pessoas se tornassem mais irritadiças devido à proximidade constante. “As pessoas passaram a ter mais tempo para notar os incômodos do dia a dia”, afirma Castro. Além disso, o aumento na densidade populacional das áreas urbanas tem contribuído para o estresse nas relações entre vizinhos. O Centro de Estudos da Metrópole (CEM) revela que São Paulo apresenta uma quantidade maior de apartamentos do que casas desde anos passados, o que intensifica a convivência próxima entre os moradores. De acordo com dados do IBGE, existem atualmente cerca de 4,8 milhões de condomínios no Estado, com uma quantidade considerável deles contando com mais de cem unidades habitacionais cada um.
Soluções propostas por especialistas
Renato Daniel Tichauer, presidente da Associação de Síndicos de Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo (Assosíndicos), reconhece que as tensões entre vizinhos estão crescendo e sugere que os síndicos promovam orientações aos condomínios sobre como manter uma boa convivência. Ele recomenda palestras educativas focadas na importância do respeito mútuo e na preservação do bom senso nas relações cotidianas.
Tichauer alerta ainda que ao sinalizar qualquer tipo de violência dentro dos condomínios é fundamental acionar autoridades competentes. “Em situações extremas onde diálogo não funcione, pode-se considerar ações legais contra o condômino infrator”, conclui ele.