Vinícius de Moraes 112 anos: legado segue vivo na cultura brasileira

Bibliotecas municipais de São Paulo disponibilizam 22 obras de Vinicius de Moraes gratuitamente na plataforma BiblioSP Digital

Crédito: Reprodução

Neste domingo (19), a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas, celebra os 112 anos de nascimento de Vinícius de Moraes, um dos maiores expoentes da cultura brasileira. Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes (1913–1980) foi poeta, diplomata, dramaturgo, jornalista e compositor.

Sua obra atravessou fronteiras e consolidou o “Poetinha” como um ícone tanto da literatura quanto da música popular brasileira, sendo um dos pilares da Bossa Nova ao lado de Tom Jobim e João Gilberto.

A fama internacional veio com composições como Garota de Ipanema, mas a veia literária de Vinícius é igualmente rica. Suas obras, que vão do misticismo ao amor e da fé à sensualidade, revelam um artista plural e profundo. Para aproximar o público dessa faceta, a BiblioSP Digital — plataforma gratuita do Sistema Municipal de Bibliotecas — disponibiliza 22 títulos do autor para leitura online, acessíveis por computador, celular ou tablet.

As várias faces de Vinícius nas páginas da poesia

A poesia de Vinícius reflete diferentes momentos de sua trajetória pessoal e espiritual. Em Poemas, Sonetos e Baladas (1946), o autor expressa uma fase fortemente marcada por reflexões filosóficas e religiosas, revelando uma busca pela pureza da alma e pela transcendência.

Com Livro de Sonetos (1957), surge o Vinícius mais romântico, que exalta o amor em sua plenitude e contradições. O famoso Soneto de Fidelidade — “que não seja imortal, posto que é chama, / mas que seja infinito enquanto dure” — tornou-se um símbolo dessa fase.

Já em Para Viver um Grande Amor (1962), o poeta mescla lirismo e cotidiano, apresentando um olhar mais maduro sobre o amor e a vida. Em A Arca de Noé (1970), o “Poetinha” se volta ao universo infantil, mostrando leveza e humor em versos que se transformaram em canções eternizadas, como A Casa e O Pato.

Por fim, Todo Amor (2017), lançado postumamente, reúne poemas que celebram a paixão em suas diversas formas, confirmando Vinícius como um cronista do amor em todas as suas dimensões.

Música e poesia em perfeita harmonia

Vinícius de Moraes construiu uma carreira que uniu a sofisticação literária ao lirismo popular. Na música, foi um dos fundadores da Bossa Nova e responsável, junto a Tom Jobim, por clássicos como Chega de Saudade, Eu Sei Que Vou Te Amar e Garota de Ipanema.

Em parceria com Baden Powell, criou o afro-samba, gênero inovador que aproximou a MPB das tradições afro-brasileiras em canções como Canto de Ossanha. Já ao lado de Toquinho, produziu sucessos como Aquarela e Tarde em Itapoã, que marcaram gerações.

Na literatura, destacou-se com obras teatrais como Orfeu da Conceição, que inspirou o premiado filme Orfeu Negro. Sua escrita, permeada por temas como amor, fé, erotismo e humanidade, consolidou um legado que continua inspirando músicos, poetas e leitores até hoje.

Biblioteca Vinícius de Moraes: homenagem ao “Poetinha”

Para celebrar a importância do artista, uma das bibliotecas públicas da capital paulista leva seu nome: a Biblioteca Pública Vinícius de Moraes, localizada no bairro José Bonifácio, na zona leste. O espaço é um centro de promoção cultural que oferece atividades de incentivo à leitura, oficinas e eventos artísticos que preservam a memória do poeta.

A homenagem reforça o compromisso do município com a valorização da literatura nacional e com o acesso gratuito à cultura. A biblioteca faz parte da rede administrada pela Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas (CSMB), que reúne 84 equipamentos culturais, incluindo 51 bibliotecas de bairro e 29 serviços de extensão, como os Pontos e Bosques de Leitura.

Legado eterno

Mais de quatro décadas após sua morte, Vinícius de Moraes continua a ecoar em versos, canções e corações. Sua arte, que uniu o sagrado e o profano, o erudito e o popular, permanece um símbolo da sensibilidade brasileira. E, como ele mesmo escreveu, o amor — e sua poesia — seguem sendo “infinito enquanto dure”.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 19/10/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show