Vila Operária João Migliari pode perder status de patrimônio histórico em São Paulo

Conselho municipal avalia retirada da proteção histórica da vila operária João Migliari, última remanescente de um conjunto demolido no Tatuapé.

Crédito: Reprodução/Instagram @salveavilajoaomigliari

A vila operária João Migliari, localizada no Tatuapé, zona leste de São Paulo, pode perder sua proteção como patrimônio histórico. O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) está analisando um pedido de destombamento da área onde restam apenas cinco sobrados da antiga vila, que originalmente contava com 60 casas idênticas.

O debate sobre a retirada da proteção já começou e será retomado na próxima reunião do Conpresp, em 14 de abril. Um parecer favorável ao destombamento foi apresentado pela conselheira Beatriz Mendes, representante da Secretaria de Urbanismo da gestão Ricardo Nunes (MDB).

Impacto da verticalização e disputas no conselho

A vila João Migliari começou a ser demolida em 2019, impulsionada pela valorização imobiliária da região, favorecida pelo Plano Diretor de 2014. No entanto, em 2023, os cinco sobrados restantes foram tombados pelo Conpresp, junto a outras duas vilas operárias no bairro do Belém.

Apesar da recomendação do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) para manter o tombamento, o avanço de construções próximas à vila João Migliari levou o conselho a reconsiderar a medida. Segundo fontes ligadas ao Conpresp, entre as nove entidades e órgãos públicos representados no conselho, apenas o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se posicionaram contra o destombamento.

Para o arquiteto Lucas Chiconi, pesquisador da transformação do Tatuapé, a motivação para o tombamento não está ligada à resistência contra a verticalização, mas sim ao reconhecimento histórico e cultural do bairro. Ele destaca que os sobrados da vila João Migliari são os únicos imóveis particulares tombados na região, ao lado de bens públicos como o Parque Piqueri e a Casa Bandeirista do século 17.

A decisão final sobre o futuro da vila será tomada nas próximas reuniões do Conpresp, enquanto moradores e especialistas aguardam o desfecho dessa disputa.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 24/03/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo