Vila Girassol: SBC lança moradia para autistas sob debate
Projeto Vila Girassol traz casas adaptadas e parque sensorial, mas baixo número de vagas gera críticas sobre demanda reprimida.
- Publicado: 06/05/2026 17:52
- Alterado: 06/05/2026 18:00
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
No início do mês de maio, a Prefeitura de São Bernardo do Campo anunciou o projeto habitacional Vila Girassol. Nele, nove famílias atípicas de baixa renda serão contempladas com moradias adaptadas.
Entretanto, embora o projeto da Vila Girassol tenha sido recebido com entusiasmo pela população, o número de famílias contempladas tem gerado debates sobre o novo empreendimento municipal.
De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura e pela construtora responsável, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), serão disponibilizadas três unidades habitacionais que atendem plenamente à norma brasileira de acessibilidade (NBR 9050).
O número corresponde a 34% do total, percentual superior aos 3% exigidos pela legislação federal para empreendimentos públicos. Ainda assim, moradores ouvidos pela reportagem consideram a oferta insuficiente diante da alta demanda de famílias atípicas.
Segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE, divulgado em maio de 2025, 2,4 milhões de brasileiros foram diagnosticados com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Para o analista comercial Mauro Santos Rodrigues Junior, de 45 anos, pai de três crianças, sendo uma delas dentro do espectro autista, a iniciativa representa um avanço. No entanto, ele avalia que a quantidade de moradias ainda é limitada.
“É muito pouco. As famílias atípicas têm aumentado muito. Com certeza muitas famílias ficarão de fora. Seria necessário um projeto muito maior”, afirma.
Mauro também destaca outras dificuldades enfrentadas por essas famílias, além da moradia, como o acesso a terapias e medicamentos.
“Sem dúvida, terapia é o mais importante, seguido de medicamentos. Ambos são caros e de difícil acesso”, diz.
A analista administrativa Tatiane Alves da Silva Rodrigues, de 37 anos, mãe de uma criança autista, também comentou sobre a Vila Girassol. Para ela, o projeto pode beneficiar famílias em situação de vulnerabilidade.
“É um projeto bastante interessante, pois muitas famílias atípicas são bem precárias”, afirma.
Sobre o número de unidades da Vila Girassol, ela avalia que a quantidade está abaixo da necessidade. “É um número muito abaixo da quantidade de famílias com crianças autistas”, diz.
O que diz a Prefeitura

Procurada, a Prefeitura de São Bernardo do Campo informou que a Vila Girassol é uma solução habitacional voltada a famílias em vulnerabilidade social que tenham integrantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo o município, o projeto estrutural da Vila Girassol é de responsabilidade da CDHU, que definiu parâmetros como quantidade e modelo das unidades. À Prefeitura cabe a indicação das famílias beneficiadas, além do suporte no processo de inscrição, seleção e acompanhamento.
A administração municipal também informou que este é o primeiro empreendimento do tipo na cidade e que há possibilidade de a iniciativa ser ampliada futuramente, a partir da demanda identificada.
A Vila Girassol está sendo construída em um terreno antes sem utilização, na região do Planalto, com acesso pela Rua Jair Alves Moreira. O projeto prevê seis edificações que somam nove unidades habitacionais, com metragens entre 45 m² e 54 m². Parte da área será destinada à implantação de parque sensorial e horta.
Em nota, a CDHU informou que o empreendimento segue as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão e do Estatuto da Pessoa com Deficiência, garantindo condições de acessibilidade nas áreas comuns. A entrega está prevista para o final do segundo semestre de 2026.
A companhia também afirmou que três das unidades atenderão plenamente à norma brasileira de acessibilidade (NBR 9050), número superior ao mínimo exigido pela legislação federal.
Segundo a CDHU, o projeto prioriza iluminação e ventilação naturais, além do uso de materiais que reduzem estímulos visuais e táteis, como superfícies lisas, uniformes e pinturas foscas.
Os espaços coletivos foram planejados com áreas de convivência, circulação com prioridade para pedestres e espaços de permanência. O projeto inclui ainda horta comunitária e pomar.
As inscrições para o projeto foram abertas pela Prefeitura e podem ser realizadas por e-mail ou presencialmente na Secretaria de Habitação do município. Segundo o Executivo, o processo também deve permitir o levantamento da demanda por moradia voltada a pessoas com TEA na cidade.