Vigilância Sanitária interdita padaria em Belo Horizonte após caso de intoxicação alimentar

Investigação revela falta de alvará e irregularidades

Crédito: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

A Vigilância Sanitária de Belo Horizonte determinou a interdição de uma padaria localizada no bairro Serrano, na Região da Pampulha, após o internamento grave de três pessoas com sintomas suspeitos de intoxicação alimentar. O incidente ocorreu na terça-feira, dia 22, e a padaria em questão não possuía alvará sanitário, além de apresentar diversas irregularidades relacionadas à higiene.

Segundo informações da prefeitura, a equipe da Vigilância Sanitária atuou prontamente, interditando o estabelecimento na manhã do dia 23. Em nota oficial, a administração municipal esclareceu que o local não apenas carecia de alvará, mas também não tinha registro para iniciar o processo de regularização junto ao órgão competente. As condições sanitárias e estruturais foram consideradas inadequadas.

As vítimas da intoxicação foram identificadas como Cleuza Maria de Jesus Dias, de 78 anos, sua sobrinha Fernanda Isabella de Morais Nogueira, de 23 anos, e o namorado dela, José Vitor Carrilho Reis, de 24 anos. Todos apresentaram quadro grave e necessitaram de intubação após serem encaminhados ao hospital. A internação se deu em instituições localizadas em Sete Lagoas e Venda Nova.

Conforme relatos obtidos pela Polícia Militar, os três consumiram torta de frango e empada adquiridas na Padaria Natália. Após a refeição, perceberam um gosto desagradável e azedo nos alimentos e retornaram ao estabelecimento para reclamar. No entanto, já durante a madrugada seguinte, os sintomas se agravaram, levando-os a buscar atendimento médico.

Cleuza Maria desmaiou por aproximadamente 30 minutos antes de ser reanimada por seu filho e também foi levada para uma UTI em estado crítico. Os médicos que atenderam os pacientes levantaram a hipótese de envenenamento por substâncias químicas não confirmadas até o momento. Entre as possibilidades estão organofosforados, usados em pesticidas, ou toxina botulínica.

Durante a investigação realizada na padaria, policiais conversaram com os funcionários que informaram que todos os produtos alimentícios são preparados por um único padeiro freelancer. As tortas em questão foram supostamente feitas no sábado anterior ao incidente e estavam armazenadas congeladas até serem aquecidas para venda.

O proprietário do estabelecimento revelou que o padeiro havia sido contratado há apenas seis dias e não possuía informações básicas sobre ele, como telefone ou endereço. Além disso, alegou que as câmeras de segurança não estavam operacionais devido a um incêndio anterior no local. O pagamento ao padeiro era feito em dinheiro vivo, complicando ainda mais a possibilidade de rastrear suas informações.

A Polícia Civil está acompanhando o caso e já ouviu o responsável pela padaria. Até o fechamento desta reportagem, o padeiro continuava sem ser encontrado.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 23/04/2025
  • Fonte: FERVER