50% dos brasileiros veem vida mais difícil em 2025
Pesquisa e análise psicológica revelam como dívidas e exaustão sufocam a rotina das famílias
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 04/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O ano de 2025 começou marcado por um sentimento generalizado de cansaço. Segundo um levantamento inédito da Hibou, empresa especializada em monitoramento de consumo, metade da população brasileira avalia que a vida está mais difícil neste ano. A pesquisa, que consultou 1.433 pessoas, expõe um cenário onde a instabilidade econômica e climática se une a uma profunda exaustão emocional.
Para compreender esse fenômeno, não basta olhar apenas para os números; é preciso entender a mente. O psicólogo Luti Christóforo explica que o peso sentido agora é um acúmulo dos anos anteriores. O cérebro humano, exposto a estímulos incessantes e crises consecutivas, entra no que ele classifica como uma “exaustão silenciosa“.
“Não é uma impressão. É o desgaste de anos consecutivos que não permitiram que a saúde emocional coletiva se reorganizasse“, analisa Christóforo.
O bolso e a mente em modo de sobrevivência
A economia continua sendo o principal fator de estresse. Embora índices oficiais apontem desaceleração da inflação, a realidade das famílias conta outra história. O estudo aponta que 50% dos brasileiros sentem sua situação financeira estagnada ou piorada. A inadimplência é uma realidade para 45% dos entrevistados, enquanto outros 35% pagam despesas com dificuldade.

Essa pressão financeira faz com que a vida está mais difícil não apenas no caixa do supermercado, mas dentro de casa. Segundo Christóforo, a instabilidade coloca o indivíduo em um “modo de sobrevivência”, liberando cortisol excessivo e gerando irritabilidade e insônia.
O impacto nos preços é sentido de forma aguda:
- 73% percebem aumento na conta de luz;
- 52% afirmam que os preços no supermercado subiram muito.
O psicólogo alerta para o efeito doméstico dessa tensão:
“O estresse financeiro corrói a mente e corrói o ambiente doméstico, porque transforma a rotina em uma sequência de decisões urgentes e desgastantes.”
Crise no trabalho e insatisfação com o presencial
No ambiente corporativo, o conflito geracional sobre flexibilidade agrava a sensação de que a vida está mais difícil. O fim do home office é apontado como um retrocesso significativo: metade do país acredita que o retorno presencial piorou a qualidade de vida.
O descontentamento é liderado pelos jovens (16 a 34 anos), onde 63% avaliam negativamente a volta aos escritórios. Apenas 21% sentem melhora com o modelo tradicional, majoritariamente pessoas acima de 45 anos.
Saúde, segurança e o medo do futuro

A percepção de colapso nos serviços básicos alimenta a angústia nacional. Na saúde, 52% reprovam o atendimento, citando altos custos e longas esperas. Na segurança pública, 56% enxergam retrocesso, vivendo sob medo constante.
Além disso, o cenário tecnológico e ambiental traz pouca esperança. Enquanto 59% temem o encarecimento de reparos eletrônicos, o ceticismo ambiental é alto: apenas 18% acreditam que a COP30 trará benefícios reais, mesmo com 88% associando eventos extremos às mudanças climáticas.
Apatia política como defesa emocional
A política, antes palco de debates acalorados, hoje gera indiferença. A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, não alterou a percepção de 49% dos entrevistados. Lígia Mello, CSO da Hibou, destaca:
“Eventos antes considerados capazes de balançar o humor do eleitor não têm o mesmo impacto. A população está exausta de crises repetidas e perdeu a expectativa de transformação.”
Luti Christóforo complementa essa visão, diagnosticando o fenômeno não como doença, mas como defesa. Segundo o especialista, ocorre um “entorpecimento afetivo“, onde a mente se desliga para suportar a saturação de notícias ruins. O risco, contudo, é que essa falta de indignação se torne uma apatia crônica, enfraquecendo o tecido social.
Caminhos para retomar o controle
Mesmo em um cenário onde a vida está mais difícil, é possível encontrar equilíbrio. Para quem sente que perdeu o controle, o psicólogo recomenda abandonar a expectativa de “acordar animado” e focar em micro-rotinas.
“Eleja apenas uma tarefa simples e possível para cumprir, porque concluir algo pequeno libera dopamina e devolve uma sensação real de capacidade e movimento.”
Ações simples como abrir a janela, hidratar-se e evitar notícias negativas logo pela manhã ajudam o cérebro a sair do estado de alerta constante, permitindo uma reconstrução gradual da energia mental.