50% dos brasileiros veem vida mais difícil em 2025

Pesquisa e análise psicológica revelam como dívidas e exaustão sufocam a rotina das famílias

Crédito: Freepik

O ano de 2025 começou marcado por um sentimento generalizado de cansaço. Segundo um levantamento inédito da Hibou, empresa especializada em monitoramento de consumo, metade da população brasileira avalia que a vida está mais difícil neste ano. A pesquisa, que consultou 1.433 pessoas, expõe um cenário onde a instabilidade econômica e climática se une a uma profunda exaustão emocional.

Para compreender esse fenômeno, não basta olhar apenas para os números; é preciso entender a mente. O psicólogo Luti Christóforo explica que o peso sentido agora é um acúmulo dos anos anteriores. O cérebro humano, exposto a estímulos incessantes e crises consecutivas, entra no que ele classifica como uma “exaustão silenciosa“.

Não é uma impressão. É o desgaste de anos consecutivos que não permitiram que a saúde emocional coletiva se reorganizasse“, analisa Christóforo.

O bolso e a mente em modo de sobrevivência

A economia continua sendo o principal fator de estresse. Embora índices oficiais apontem desaceleração da inflação, a realidade das famílias conta outra história. O estudo aponta que 50% dos brasileiros sentem sua situação financeira estagnada ou piorada. A inadimplência é uma realidade para 45% dos entrevistados, enquanto outros 35% pagam despesas com dificuldade.

Desigualdade de renda - sem dinheiro - carteira -
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Essa pressão financeira faz com que a vida está mais difícil não apenas no caixa do supermercado, mas dentro de casa. Segundo Christóforo, a instabilidade coloca o indivíduo em um “modo de sobrevivência”, liberando cortisol excessivo e gerando irritabilidade e insônia.

O impacto nos preços é sentido de forma aguda:

  • 73% percebem aumento na conta de luz;
  • 52% afirmam que os preços no supermercado subiram muito.

O psicólogo alerta para o efeito doméstico dessa tensão:

“O estresse financeiro corrói a mente e corrói o ambiente doméstico, porque transforma a rotina em uma sequência de decisões urgentes e desgastantes.”

Crise no trabalho e insatisfação com o presencial

No ambiente corporativo, o conflito geracional sobre flexibilidade agrava a sensação de que a vida está mais difícil. O fim do home office é apontado como um retrocesso significativo: metade do país acredita que o retorno presencial piorou a qualidade de vida.

O descontentamento é liderado pelos jovens (16 a 34 anos), onde 63% avaliam negativamente a volta aos escritórios. Apenas 21% sentem melhora com o modelo tradicional, majoritariamente pessoas acima de 45 anos.

Saúde, segurança e o medo do futuro

Paciente - Saúde masculina - Médico - Câncer
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A percepção de colapso nos serviços básicos alimenta a angústia nacional. Na saúde, 52% reprovam o atendimento, citando altos custos e longas esperas. Na segurança pública, 56% enxergam retrocesso, vivendo sob medo constante.

Além disso, o cenário tecnológico e ambiental traz pouca esperança. Enquanto 59% temem o encarecimento de reparos eletrônicos, o ceticismo ambiental é alto: apenas 18% acreditam que a COP30 trará benefícios reais, mesmo com 88% associando eventos extremos às mudanças climáticas.

Apatia política como defesa emocional

A política, antes palco de debates acalorados, hoje gera indiferença. A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, não alterou a percepção de 49% dos entrevistados. Lígia Mello, CSO da Hibou, destaca:

“Eventos antes considerados capazes de balançar o humor do eleitor não têm o mesmo impacto. A população está exausta de crises repetidas e perdeu a expectativa de transformação.”

Luti Christóforo complementa essa visão, diagnosticando o fenômeno não como doença, mas como defesa. Segundo o especialista, ocorre um “entorpecimento afetivo“, onde a mente se desliga para suportar a saturação de notícias ruins. O risco, contudo, é que essa falta de indignação se torne uma apatia crônica, enfraquecendo o tecido social.

Caminhos para retomar o controle

Mesmo em um cenário onde a vida está mais difícil, é possível encontrar equilíbrio. Para quem sente que perdeu o controle, o psicólogo recomenda abandonar a expectativa de “acordar animado” e focar em micro-rotinas.

“Eleja apenas uma tarefa simples e possível para cumprir, porque concluir algo pequeno libera dopamina e devolve uma sensação real de capacidade e movimento.”

Ações simples como abrir a janela, hidratar-se e evitar notícias negativas logo pela manhã ajudam o cérebro a sair do estado de alerta constante, permitindo uma reconstrução gradual da energia mental.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 04/12/2025
  • Fonte: Fever