Vício no Instagram é raro e afeta apenas 2% dos usuários
Pesquisa aponta que percepção exagerada de dependência atrapalha a mudança de hábitos digitais.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 27/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A crença de que os usuários desenvolveram um vício no Instagram tornou-se comum em conversas cotidianas, memes e até em discursos oficiais. Contudo, um estudo publicado na revista Scientific Reports, do renomado grupo Nature, revela que essa autopercepção está frequentemente equivocada. Segundo a análise feita com mais de 1.200 adultos, apenas 2% dos participantes apresentaram sintomas de risco clínico para dependência, embora 18% acreditassem estar viciados.
Essa disparidade de dados mostra que, para cada pessoa clinicamente dependente, existem oito que acreditam sofrer de um vício no Instagram sem realmente estarem nessa condição. O pesquisador Ian Anderson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), alerta sobre os riscos dessa classificação incorreta: “Muitas pessoas adotam o rótulo de ‘vício’ sem evidências clínicas para tal.”
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Impactos psicológicos da rotulagem
Classificar o uso frequente como um vício no Instagram não é apenas um erro técnico, mas um fator que pode agravar o bem-estar do usuário. A pesquisa conduziu testes para medir o impacto desse autorreconhecimento e descobriu que a simples menção ao termo “vício” diminui a sensação de controle e aumenta a culpa, sem gerar mudanças comportamentais reais.
Anderson explica que essa mentalidade prejudica a autoeficácia, minando a confiança de que é possível mudar. Ao acreditar que possui um vício no Instagram, o indivíduo tende a sentir que o problema é maior do que sua capacidade de resolvê-lo, o que pode tornar ineficazes tentativas de “detox digital”.
Hábito digital versus dependência clínica
Um levantamento de 36 meses de conteúdo de mídia mostrou que o termo “vício em redes sociais” apareceu em 4.383 matérias, enquanto “hábito digital” foi citado apenas 50 vezes. Essa saturação midiática contribui para que as pessoas confundam comportamentos repetitivos com patologias graves.
Os autores do estudo enfatizam a distinção crucial: o hábito refere-se ao uso automático em contextos específicos, enquanto o vício no Instagram ou em outras redes envolveria sintomas psiquiátricos, como abstinência severa e perda total de controle. O pesquisador reforça os dados encontrados:
“Nossos dados indicam que 35% dos usuários têm hábitos fortes, enquanto apenas 2% estão em risco de dependência. Portanto, as abordagens deveriam se basear em hábitos e não em vícios.“
Caminhos para retomar o controle
A boa notícia trazida pelo estudo é que hábitos são mais fáceis de modificar do que vícios clínicos. Ao entender que o uso excessivo não é necessariamente um vício no Instagram, mas sim um comportamento automático, o usuário ganha poder de ação. Pequenas alterações no ambiente digital, como desativar notificações e reorganizar a tela inicial, mostram-se eficazes para quebrar esses padrões.
Anderson conclui que compreender o comportamento como hábito proporciona uma sensação maior de controle. No entanto, para mudanças em larga escala, os pesquisadores sugerem que as próprias plataformas implementem ferramentas de gestão de uso, algo que exige políticas públicas firmes, visto que o modelo de negócios atual prioriza o engajamento contínuo que alimenta o suposto vício no Instagram.