Viaduto do Chá e Praça do Patriarca terão reforma de R$ 70 mi

Intervenção polêmica no centro de SP altera piso e realoca monumentos históricos.

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Um projeto de revitalização de grande escala promete transformar a paisagem do centro histórico de São Paulo. Com um investimento atualizado para R$ 70 milhões, a administração municipal, sob gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), prepara-se para licitar obras que modificarão o visual do Viaduto do Chá, da Praça do Patriarca e do entorno do Theatro Municipal.

A iniciativa visa recuperar áreas degradadas, mas enfrenta debates acalorados devido às alterações propostas em elementos tradicionais da arquitetura paulistana.

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Mudanças estruturais e polêmicas no piso

Uma das modificações mais significativas e discutidas é a substituição do calçamento. O projeto prevê a troca das icônicas pedras portuguesas por um piso de granito nas cores vermelho e cinza nas calçadas do Viaduto do Chá. Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, a mudança tem motivação técnica: reduzir o peso sobre a estrutura e facilitar a conservação.

Marcos Monteiro, secretário responsável pela pasta, justifica a alteração pela dificuldade de manutenção do modelo atual:

“A mão de obra especializada para reassentamento das pedras portuguesas é escassa e difícil de encontrar atualmente.”

Além da estética, a reforma é urgente devido a problemas estruturais graves, com destaque para infiltrações que comprometem a segurança. Monteiro foi enfático sobre a necessidade imediata das obras: “Se não agirmos agora, a estrutura continuará a se deteriorar com o tempo”.

Intervenções na Praça do Patriarca e entorno

O projeto estende-se à Praça do Patriarca, local que abriga a Igreja Santo Antônio. Embora os mosaicos do piso central e laterais sejam preservados, outras mudanças alterarão a dinâmica do local:

  • Estátua de José Bonifácio: Será movida para o centro da praça.
  • Bancas de Jornal: Serão realocadas para a parte posterior do Theatro Municipal, gerando descontentamento entre os comerciantes.
  • Galeria Prestes Maia: A conexão entre a praça e o Anhangabaú sofre com infiltrações e passará por reparos.

Uma questão central envolve a marquise projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha. A proposta inicial de envidraçamento foi rejeitada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) e criticada pela família do arquiteto. O conselho sugeriu um fechamento horizontal retrátil no gradil existente, solução defendida por Pedro Mendes da Rocha para manter a integridade da obra original.

Logística e melhorias para o turismo

Para atender à intensa movimentação da área, o plano inclui a instalação de um ponto de ônibus no Viaduto do Chá e a criação de uma área de embarque e desembarque próxima ao Shopping Light.

Um bondinho desativado será posicionado na região para funcionar como ponto de informações turísticas, valorizando a história local.

O peso histórico do Viaduto do Chá

A importância desta reforma reside na relevância histórica do local. O Viaduto do Chá foi o primeiro da cidade, inaugurado originalmente em 1892 com estrutura metálica alemã. A versão atual, em concreto armado e estilo Art Déco, data de 1939 e foi projetada por Elisiário Bahiana para suportar o crescimento da metrópole.

Curiosamente, no passado, a travessia era paga, o que lhe rendeu o apelido de “Viaduto dos Três Vinténs” até a gratuidade ser instituída em 1897.

Prazos e Investimento

A licitação deve ser lançada ainda este ano, com a expectativa de anúncio dos vencedores até maio de 2026. As obras terão duração estimada de 18 meses. O custo, inicialmente previsto em R$ 58 milhões, sofreu reajustes após novas avaliações técnicas, fixando-se no patamar de R$ 70 milhões.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 23/11/2025
  • Fonte: Fever