Via Streaming – “As Janes” - Rede clandestina

Em uma época em que o aborto era crime nos Estados Unidos, uma rede de mulheres se organizou para garantir esse serviço as mulheres de forma segura e acessível

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Apesar do aborto ser um direito reconhecido por lei nos Estados Unidos desde 1969 – com cada estado possuindo uma legislação um pouco diferente –, recentemente a discussão sobre essa prática reacendeu no país com o vazamento de um texto em repúdio ao aborto feito pela Suprema Corte no início de 2022. Com isso, a possibilidade de anular uma decisão (fruto da luta feminista) de mais de 50 anos movimentou uma série de protestos, tanto a favor como contra a atitude. Nesse contexto, o documentário “As Janes”, que fez sua estreia mundial no Festival de Sundance desse ano e que será disponibilizado com exclusividade na HBO Max a partir do dia 8 de junho, se mostra extremamente necessário.

Isso porque o longa se passa antes da legalização do aborto nos Estados Unidos e acompanha a trajetória de um coletivo de mulheres de Chicago que organizava uma rede de abortos seguros e acessíveis para as mulheres por de baixo dos panos. Além de ser uma atividade proibida por lei, o que por si só já colocava as organizadoras em risco, também existia um interesse da máfia de Chicago em lucrar com a realização de abortos ilegais e nada seguros, tornando as Janes – nome pelo qual esse grupo de mulheres respondia – um alvo para todos os lados.

O documentário conta com o depoimento das organizadoras originais dessa rede, que irão contar quais foram as motivações e o contexto por trás do movimento. Com isso, elas conseguem criar um panorama histórico e social – do ponto de vista feminino, protagonista da questão – da realidade pré legalização, fazendo com que seja possível para o espectador entender o que pode vir a ser do futuro do direito das mulheres nos Estados Unidos se o projeto da Suprema Corte for aprovado. Para aqueles que vivem em locais onde o aborto ainda é ilegal na maioria dos casos, “As Janes” se apresenta como uma boa reflexão e um vislumbre do que poderia a ser no avanço das pautas feministas.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 22/08/2023
  • Fonte: Sorria!,