Brasil enviará 100 toneladas de insumos médicos à Venezuela

Ministério da Saúde envia remessa emergencial para garantir tratamento de pacientes renais no país vizinho após ataque a centro logístico.

Crédito: Rafael Nascimento/MS

A Venezuela receberá um suporte emergencial estratégico do governo brasileiro para conter uma crise sanitária iminente. O Ministério da Saúde confirmou o envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos hospitalares, uma resposta direta ao ataque bélico que destruiu o principal centro de distribuição de fármacos da nação vizinha no último sábado.

Esta operação humanitária tem um foco claro: preservar vidas. Cerca de 16 mil pacientes renais dependem da continuidade de seus tratamentos para sobreviver. Sem os materiais armazenados no centro destruído, essas pessoas correm risco imediato de morte. Para evitar o colapso no atendimento, a primeira remessa com 40 toneladas de materiais parte na manhã desta sexta-feira (9).

Envio de insumos para a Venezuela prioriza hemodiálise

A logística montada pelo governo federal utiliza o Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos em Guarulhos (SP) como base. Um avião venezuelano será responsável pelo transporte da carga inicial. Os materiais foram assegurados graças à mobilização de hospitais universitários e instituições filantrópicas brasileiras, que doaram itens críticos sem comprometer o abastecimento nacional.

O pacote de ajuda enviado à Venezuela inclui materiais essenciais para procedimentos de alta complexidade:

  • Medicamentos de uso contínuo;
  • Filtros para diálise;
  • Linhas arteriais e venosas;
  • Cateteres e soluções específicas.

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, enfatizou que o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém estoques seguros para os 170 mil brasileiros que realizam diálise. A ação não desfalca a rede interna e retribui um gesto histórico.

“Temos estoques seguros no Brasil e podemos ser solidários com o país vizinho. Não podemos esquecer que, durante a pandemia da Covid-19, a Venezuela nos disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos nossos cidadãos, diante de uma crise por uma má gestão do governo passado.”

Estratégia diplomática e segurança na fronteira

A cooperação vai além do envio físico de cargas. Padilha oficializou o apoio em carta enviada na quinta-feira (8) à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez. O documento reforça o compromisso do Brasil em auxiliar na reestruturação da assistência aos pacientes afetados pela destruição da infraestrutura logística local.

Enquanto os insumos voam para o norte do continente, o governo brasileiro também reforça a atenção em solo. A Operação Acolhida, que atua na recepção de migrantes em Pacaraima (RR), conta atualmente com 40 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e psicólogos. Uma nova equipe técnica chegou à região nesta semana para reavaliar o cenário.

Para garantir a ordem pública durante esse período de instabilidade regional, o governo autorizou o envio da Força Nacional de Segurança Pública. Os agentes atuarão por 90 dias em Boa Vista e Pacaraima, assegurando a integridade das operações humanitárias e o fluxo seguro na fronteira com a Venezuela.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 08/01/2026
  • Fonte: Sorria!,