Velório de Nana Caymmi será nesta sexta (2), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Conheça a trajetória da artista que emocionou gerações
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A renomada cantora Nana Caymmi, filha do célebre Dorival Caymmi, faleceu na última quinta-feira, 1º de maio, aos 84 anos. O velório será realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 2, a partir das 8h30, com o sepultamento programado para as 14h no Cemitério São João Batista, localizado em Botafogo, na Zona Sul carioca.
Nana Caymmi faleceu em decorrência de uma disfunção múltipla de órgãos. A artista havia sido hospitalizada para tratamento de arritmia cardíaca.
Natural do Rio de Janeiro e nascida como Dinahir Tostes Caymmi em 29 de abril de 1941 — dois dias antes de seu falecimento —, ela cresceu em um ambiente repleto de musicalidade. Era filha de Dorival Caymmi e Stella Maris e irmã dos músicos Danilo e Dori Caymmi.
O irmão Danilo expressou sua tristeza pela perda da irmã: “O Brasil perde uma grande cantora, uma das intérpretes mais marcantes que já existiram. Todos estamos profundamente consternados. Ela enfrentou nove meses de sofrimento intenso dentro do hospital”, lamentou.
Durante sua carreira brilhante, Nana se destacou por uma discografia que se caracterizou pela rigorosa seleção de repertório e pela escolha cuidadosa dos arranjadores e produtores com quem trabalhou. Sua trajetória musical começou ao lado do pai ainda na adolescência, quando gravou a canção “Acalanto”, composta por Dorival quando ela era apenas uma bebê. Esta melodia se transformou em uma canção popular entre as crianças brasileiras.
Após lançar seu primeiro disco solo em 1961, a artista decidiu se mudar para a Venezuela após casar-se com um médico local aos 18 anos. Contudo, a adaptação foi desafiadora e ela retornou ao Brasil com suas filhas Estela e Denise e grávida de João Gilberto.
Ao longo da carreira, Nana interpretou clássicos de grandes compositores brasileiros como Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Roberto Carlos, sempre imprimindo sua marca pessoal nas canções. Em 1964, participou do álbum “Caymmi visita Tom e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo”, que fez sucesso tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Um dos momentos marcantes da carreira da cantora ocorreu no Festival Internacional da Canção em 1966, onde enfrentou vaias ao interpretar “Saveiros”, mas saiu vitoriosa da competição. Ela gravou dezenas de discos ao longo dos anos, incluindo obras significativas como “Nana Caymmi” (1975), “Renascer” (1976) e “Bolero” (1993).
Nana também é reconhecida por suas contribuições às trilhas sonoras de novelas da TV Globo. Sua interpretação na abertura da minissérie “Hilda Furacão” em 1998 com a música “Resposta ao Tempo” a consagrou ainda mais na televisão brasileira. Em 2017, a Universal Music lançou uma coletânea chamada “Nana Novelas”, reunindo suas canções marcantes nas trilhas das produções televisivas.
Embora não tenha alcançado o mesmo nível de popularidade massiva que outras cantoras da MPB como Maria Bethânia ou Elis Regina, Nana sempre foi considerada uma artista fundamental no cenário musical brasileiro. O crítico musical Mauro Ferreira destacou: “Ela não era uma cantora teatralmente exuberante, mas tinha a habilidade única de transmitir o peso emocional das músicas através de sua voz refinada ao longo dos anos”.
Os últimos lançamentos da cantora incluem os álbuns “Nana, Tom, Vinicius” (2020) e “Nana Caymmi Canta Tito Madi” (2019). Além disso, foi casada com Gilberto Gil entre 1967 e 1969 e teve relacionamentos com outros músicos renomados.
Nana deixa três filhos e duas netas que continuarão a preservar seu legado musical.