Veja como saber se a praia está própria para banho
A Cetesb monitora semanalmente o litoral paulista e alerta para riscos invisíveis à saúde dos banhistas
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 31/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Para aproveitar o litoral de São Paulo com segurança, observar apenas a aparência da água na praia não é suficiente. A balneabilidade, termo técnico que define se o mar está adequado para banho, depende de análises laboratoriais capazes de identificar contaminações invisíveis a olho nu. O monitoramento é feito semanalmente pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e tem como foco reduzir riscos de infecções gastrointestinais, de pele e de ouvido.
Segundo Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb, a transparência da água não é um indicador confiável. Mesmo praias aparentemente limpas podem apresentar contaminação por esgoto doméstico. O principal parâmetro analisado são as bactérias do grupo dos enterococos, associadas diretamente à presença de dejetos humanos.
Como funciona o monitoramento das praias

O processo segue um protocolo técnico rigoroso. As equipes da Cetesb percorrem as praias no início de cada semana e realizam coletas a cerca de um metro de profundidade, exatamente na faixa onde os banhistas costumam permanecer. As amostras são enviadas aos laboratórios, onde passam por análises microbiológicas específicas.
No laboratório, o material é incubado em estufas para a identificação e contagem das colônias de enterococos. A classificação final não considera apenas um resultado isolado. Para evitar distorções pontuais, a Cetesb utiliza a média das últimas cinco semanas de coleta, garantindo uma leitura mais precisa da tendência de contaminação.
O que significam as bandeiras nas praias
Os resultados das análises são divulgados semanalmente, geralmente às quintas-feiras, por meio de boletins oficiais, site e aplicativo. As praias classificadas como próprias recebem bandeira verde, enquanto as impróprias são sinalizadas com bandeira vermelha, indicando risco à saúde dos banhistas.
Essa avaliação pode mudar rapidamente em função de chuvas intensas, vazamentos de esgoto, acidentes ambientais ou proliferação de algas, o que torna essencial a consulta frequente às informações atualizadas.
Cuidados essenciais para quem vai ao mar

Mesmo com bandeira verde, especialistas recomendam evitar o banho de mar nas 24 horas seguintes a chuvas fortes. A enxurrada costuma arrastar resíduos urbanos, lixo e esgoto para o oceano, elevando o nível de contaminação da água.
Outro alerta importante é manter distância de rios, canais e córregos que deságuam na praia. Esses pontos concentram maior risco por receberem ligações clandestinas de esgoto, mesmo quando o restante da faixa de areia apresenta boas condições.
Antes de descer para a areia, a recomendação é consultar o aplicativo da Cetesb, disponível para Android e iOS. As condições do mar podem mudar de um dia para o outro, especialmente durante o verão.
Mais que informação ao banhista
O monitoramento da balneabilidade não serve apenas para orientar turistas e moradores. Ele também funciona como ferramenta de pressão sobre prefeituras e concessionárias de saneamento, ajudando a identificar vazamentos, falhas na drenagem urbana e a necessidade de ampliação da rede de esgoto.
Ao acompanhar os boletins, o cidadão contribui indiretamente para a melhoria da qualidade ambiental e para a proteção da saúde coletiva no litoral paulista.