Varejo de SP espera crescimento modesto no Dia dos Pais

Com juros altos e endividamento das famílias, o faturamento do setor deve registrar crescimento modesto puxado por farmácias e vestuário.

Fotos: Alex Cavanha/PSA

Crédito: Fotos: Alex Cavanha/PSA

O varejo paulista registrará um avanço tímido nas receitas de agosto, mês movimentado pelas vendas do Dia dos Pais. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estima um crescimento de 0,7% no faturamento do setor. Esse índice representa uma receita maior em R$ 567 milhões na comparação com o mesmo período do ano passado.

A alta modesta reflete a cautela do consumidor diante da economia atual. Dados da federação mostram que o endividamento atinge 74,8% dos lares em São Paulo, fator que asfixia o orçamento familiar. Taxas de juros elevadas e a constante pressão inflacionária também inibem gastos mais expressivos.

Expectativas para o varejo paulista no Dia dos Pais

O cenário econômico restritivo não impede resultados positivos para nichos específicos durante a data sazonal. O segmento de perfumarias e farmácias desponta como o principal beneficiado, com aumento projetado de 3,7% nas vendas em relação ao último ano. Lojas de roupas ocupam a segunda posição no radar de consumo, com alta esperada de 1,7%.

O comportamento sinaliza uma mudança nas prioridades de quem busca presentes. “O evento tem se tornado um momento de priorizar o autocuidado, com forte ênfase na beleza, impulsionando a demanda por roupas e cosméticos”, avalia a federação em sua nota técnica.

Queda no comércio de bens duráveis

Na contramão dos itens de uso pessoal, os produtos de maior valor agregado enfrentarão dificuldades. O setor de móveis e decoração contabiliza uma queda prevista de 1,3%, enquanto as lojas de eletroeletrônicos aguardam uma retração de 0,8%.

Assumir dívidas de longo prazo assusta o consumidor. O mercado de trabalho aquecido até garante alguma liquidez na ponta, mas a base de comparação do varejo paulista segue forte desde a retomada pós-pandemia, período em que diversos segmentos estabeleceram recordes de receita.

Comerciantes agora ajustam seus estoques para focar em lembranças e itens de ticket médio menor. Entender essa dinâmica de consumo contido direcionará as estratégias dos lojistas que dependem do varejo paulista para equilibrar o caixa no segundo semestre.

  • Publicado: 03/08/2026 10:18
  • Alterado: 03/08/2026 15:06
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FecomercioSP