Varejo pet em SP é 97% dominado por pequenos negócios

Estudo da Fatec Sebrae revela liderança absoluta de microempresas no setor da capital, superando grandes redes com foco na proximidade.

Crédito: Imagem gerada por IA (Google Gemini)

O varejo pet na cidade de São Paulo possui uma configuração de mercado surpreendente, onde os gigantes não são os protagonistas principais. Um levantamento inédito de inteligência de mercado desenvolvido pela Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Sebrae aponta que quase a totalidade dos estabelecimentos ativos na capital são micro e pequenos negócios.

Essa predominância de 97% sobre as grandes redes revela um comportamento de consumo focado na conveniência e na vizinhança. O dado integra o Ranking Caramelo, um índice que avalia a infraestrutura urbana disponível para a qualidade de vida dos animais, cruzando a oferta de serviços com a disponibilidade de áreas verdes.

Ao todo, a pesquisa identificou 5.911 pet shops em operação no município. Deste universo, apenas 2,6% pertencem a grandes cadeias corporativas. A grande maioria das lojas está pulverizada pelos bairros, garantindo uma capilaridade essencial para o abastecimento das famílias com animais de estimação.

Densidade do varejo pet e a lógica dos bairros

A distribuição geográfica desses estabelecimentos não é uniforme e segue a lógica do adensamento populacional. O estudo apurou uma média geral de 8,1 lojas por quilômetro quadrado na cidade, mas algumas regiões superam largamente esse número, evidenciando a força do varejo pet em áreas verticais.

O distrito da República lidera o ranking de densidade, com impressionantes 19,4 lojas por km². A região central é seguida de perto pela Bela Vista (18,1) e por Perdizes (15,3). Essa concentração facilita o acesso a itens essenciais, mas também indica onde a concorrência é mais acirrada para o empreendedor local.

Rodolfo Ribeiro, professor e pesquisador da Fatec Sebrae, explica a dinâmica por trás desses números:

“A presença majoritária de pequenos estabelecimentos está associada à oferta de produtos de consumo recorrente, como ração, itens de higiene e acessórios, normalmente adquiridos em comércios de proximidade.”

Disparidade entre comércio e saúde animal

O Ranking Caramelo vai além da venda de produtos e cruza dados sobre pontos de venda com serviços de saúde animal. Essa análise é crucial para entender a maturidade do varejo pet em diferentes zonas da cidade, revelando desequilíbrios importantes entre oferta e demanda.

Em distritos como a República, embora haja uma alta densidade de lojas comerciais, a oferta de clínicas veterinárias é inferior à observada em bairros de maior renda. Isso sugere um mercado focado na venda rápida de produtos, mas com lacunas na assistência especializada.

Por outro lado, regiões nobres apresentam um cenário distinto:

  • Moema
  • Vila Mariana
  • Jardim Paulista

Nestes locais, há uma concentração elevada de profissionais veterinários e clínicas. Isso sinaliza um ambiente de concorrência mais sofisticado e desafiador para novos entrantes que desejam explorar o segmento de serviços dentro do ecossistema do varejo pet.

Onde os cães vivem melhor?

O estudo finaliza com uma avaliação sobre a qualidade de vida dos cães, ponderando a oferta de serviços (comércio e saúde) com a disponibilidade de áreas verdes para lazer.

Nesse recorte qualitativo, os bairros que oferecem as melhores condições gerais são Moema, Perdizes e Jardim Paulista. Em contrapartida, os indicadores menos favoráveis foram registrados no Brás, Pari e Jaguara, regiões onde a infraestrutura para os animais e a cobertura do varejo pet ainda apresentam oportunidades de desenvolvimento ou carências estruturais.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 03/02/2026
  • Fonte: Fever