Varejo paulista tem queda de 6,9% no faturamento em abril
Pesquisa da FecomercioSP aponta queda de 6,9% no faturamento do varejo paulista em abril, com impacto dos juros altos, crédito restrito e endividamento das famílias.
- Publicado: 23/07/2026 09:51
- Alterado: 23/07/2026 09:51
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
O faturamento do varejo paulista teve que de 6,9% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O setor comercial do Estado de São Paulo registrou perdas de R$ 9 bilhões, puxadas pelo crédito restrito, juros elevados e endividamento das famílias.
Os dados integram a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, elaborada pela FecomercioSP em parceria com a Sefaz/SP. O faturamento real do mês fechou em R$ 122,1 bilhões, interrompendo uma trajetória de forte crescimento iniciada na retomada econômica pós-pandemia.
Impacto nas compras essenciais do varejo paulista
A retração inicial atingiu em cheio os segmentos dependentes de financiamento, como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis. A pesquisa mais recente evidencia que o varejo paulista enfrenta agora uma ampliação dessa crise diretamente para o cotidiano do consumidor.
Setores básicos de subsistência como supermercados e lojas de vestuário entraram na curva de queda. A inflação acima do teto da meta corrói o poder de compra e força os cidadãos a reduzirem itens essenciais do orçamento mensal.
Desempenho por setores e perdas acumuladas
As vendas acumulam uma perda de 5,1% neste ano, totalizando um rombo financeiro de R$ 25,9 bilhões entre janeiro e abril. As lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e departamentos lideraram as baixas com um tombo expressivo de 30,1%.
O comércio de autopeças registrou queda de 9,1%, seguido de perto pelo recuo dos supermercados, que caíram 7,7%, e materiais de construção, com baixa de 7,5%. As concessionárias de veículos registraram a única alta real do levantamento, crescendo 8,3%, índice insuficiente para conter o cenário negativo geral do varejo paulista.
O mercado enfrentou uma forte base de comparação do ano passado, quando o setor comercial bateu recordes históricos de vendas. A reversão dessa tendência e o aumento no faturamento do varejo paulista exigirão necessariamente um alívio nas taxas de juros e a estabilização da renda das famílias.