Vandalismo em ônibus: Grande SP vive mês de ataques e insegurança
Nesta terça-feira (15), pelo menos 32 coletivos foram alvos de vandalismo em diversas localidades
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 16/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A onda de ataques a ônibus na Grande São Paulo chega ao seu primeiro mês sem que as autoridades consigam encontrar uma solução efetiva. Nesta terça-feira (15), pelo menos 32 coletivos foram alvos de vandalismo em diversas localidades, incluindo Osasco, Itapevi, Cotia e áreas da Zona Sul e Oeste da capital.
A Prefeitura de São Paulo, em conjunto com a SPTrans, registrou que a cidade foi o epicentro das depredações, contabilizando 26 ônibus danificados. Entre os incidentes, destaca-se um caso na Avenida João Jorge Saad, no Morumbi, onde uma criança ficou ferida por estilhaços de vidro provenientes do ataque.

Na Avenida Cupecê, também na Zona Sul, testemunhas relataram que indivíduos em motocicletas lançaram pedras contra veículos em movimento. Em Osasco, três ônibus da EMTU foram depredados na Avenida General Pedro Pinho. Em Itapevi, dois coletivos foram atingidos nas proximidades da estação de trem, um deles pertencente à EMTU e outro à empresa BB Transportes e Turismo. Cotia também não escapou dos ataques, com um ônibus da EMTU sendo alvo de vandalismo.
Os locais afetados pelos ataques nesta terça-feira incluem:
- São Paulo: 26 ônibus
- Osasco: 3 ônibus
- Itapevi: 2 ônibus
- Cotia: 1 ônibus
No último domingo (13), a situação se agravou ainda mais, com a cidade de São Paulo registrando 47 ataques, conforme dados da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans. Esse foi o segundo dia mais violento desde o início dessa série de depredações, que começou há aproximadamente um mês; o recorde foi alcançado no dia 7 de julho, com 59 casos em um único dia. Desde então, um total de 421 veículos foram danificados na capital paulista, criando um clima de insegurança para motoristas e passageiros.
A onda de vandalismo não se restringe apenas à capital; municípios da Grande São Paulo e da Baixada Santista somam mais de 600 incidentes. A polícia intensificou as investigações e já prendeu oito suspeitos relacionados aos ataques. No entanto, o prefeito Ricardo Nunes expressou sua insatisfação com o andamento das investigações em uma entrevista à GloboNews, afirmando que elas estão demorando para trazer respostas sobre os responsáveis pela onda de violência.

As linhas principais de investigação incluem:
- Possíveis ligações dos perpetradores com o PCC;
- Desafios promovidos pela internet;
- Conflitos entre empresas ou indivíduos do setor de transporte coletivo urbano – essa última é considerada a hipótese mais plausível.
O delegado Fernando José Góes Santiago afirmou que as ações violentas podem ser motivadas por descontentamento com o tratamento recebido por parte das empresas concorrentes.
A SPTrans reiterou a importância de que todas as concessionárias notifiquem imediatamente qualquer incidente à Central de Operações e formalizem as ocorrências junto às autoridades competentes. Em caso de depredação, a empresa responsável deve encaminhar o veículo para manutenção e substituí-lo por um modelo reserva; caso contrário, enfrentará penalidades pela viagem não realizada.
Além dos ônibus, vans que transportam pessoas com deficiência também têm sido alvo dos ataques. Na quinta-feira (10), uma dessas vans foi vandalizada. Outro veículo prestador do mesmo serviço já havia sido atacado dez dias antes.
Entre os detidos está Júlio César da Silva, flagrado em imagens lançando pedras e contido por um motorista após o ataque. Apesar do aparente estado mental alterado, a polícia não descarta sua participação em uma ação coordenada. Ele confessou: “Eu taquei, mano”. A defesa dele não foi encontrada.
Outro suspeito detido é Everton de Paiva Balbino. Investigações revelaram que ele dirigiu um carro vermelho que interrompeu a trajetória de um ônibus próximo ao aeroporto de Congonhas antes de atirar uma pedra que feriu gravemente uma passageira. Este ataque foi classificado como o mais grave até agora, resultando em múltiplas fraturas faciais na vítima. Everton foi indiciado por tentativa de homicídio após ser identificado através do veículo utilizado no crime; sua defesa também não foi localizada.