Brasil avança na pesquisa de vacina nacional contra a COVID-19
Vacina brasileira SpiN-TEC avança com segurança e eficácia, podendo ser liberada até 2027
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 09/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O Brasil está à beira de um avanço significativo em sua luta contra a COVID-19, com a iminente possibilidade de uma vacina totalmente desenvolvida no país. O primeiro artigo científico relativo aos testes de segurança da vacina SpiN-TEC foi recentemente publicado, revelando que o imunizante apresenta um perfil seguro. Atualmente, a vacina avança para a fase final dos estudos clínicos, com expectativa de disponibilidade para a população até o início de 2027.
Vacina SpiN-TEC

A SpiN-TEC é fruto do trabalho colaborativo entre o Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Fundação Ezequiel Dias (Funed), sendo financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), sob a gestão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Segundo Ricardo Gazzinelli, pesquisador e coordenador do CT-Vacinas, os testes demonstraram que a vacina SpiN-TEC teve menos efeitos colaterais em comparação à vacina da Pfizer, desenvolvida nos Estados Unidos. “Concluímos que a vacina é imunogênica, ou seja, é capaz de provocar uma resposta imune no ser humano. O estudo de segurança foi ampliado e ela manteve esse perfil, apresentando até menos efeitos adversos que a vacina da Pfizer”, afirmou Gazzinelli.
A estratégia adotada pela SpiN-TEC é inovadora, focando na imunidade celular. Isso significa que a vacina prepara as células do organismo para resistir à infecção. Caso uma infecção ocorra, o sistema imunológico é capacitado a atacar apenas as células afetadas, destruindo-as. Esta abordagem tem se mostrado mais eficaz contra variantes do coronavírus em ensaios realizados com animais e dados preliminares em humanos.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) investiu R$ 140 milhões no desenvolvimento da vacina por meio da RedeVírus, apoiando todas as etapas dos testes desde os ensaios pré-clínicos até as fases clínicas 1, 2 e 3. A fase inicial envolveu 36 voluntários com idades entre 18 e 54 anos para avaliar a segurança do imunizante em diferentes dosagens. A fase seguinte contou com 320 participantes. Neste momento, os pesquisadores aguardam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fase 3, que envolverá cerca de 5.300 voluntários distribuídos por diversas regiões do Brasil.
Gazzinelli destaca que este projeto representa um marco importante para o Brasil, que agora conta com um ecossistema quase completo voltado para vacinas. Ele observou que o país possui instituições acadêmicas dedicadas à pesquisa, fábricas para produção e um sistema de distribuição através do Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, ainda falta realizar ensaios clínicos com produtos idealizados internamente. “Historicamente, os ensaios clínicos no Brasil são feitos com vacinas desenvolvidas fora”, explicou.
Além disso, Gazzinelli ressaltou que essa experiência será benéfica para futuras pesquisas: “Isso agrega uma expertise que não tínhamos antes e é crucial não só para inovações tecnológicas em vacinas, mas também para outros insumos na área da saúde”.
Caso receba aprovação em todas as fases dos estudos clínicos, espera-se que a vacina esteja disponível no SUS até o início de 2027.

CT-Vacinas

O CT-Vacinas foi estabelecido em 2016 como resultado da colaboração entre a UFMG, o Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas) e o Parque Tecnológico de Belo Horizonte. O centro atualmente conta com aproximadamente 120 pesquisadores, estudantes e técnicos envolvidos em diversas linhas de pesquisa.
Gazzinelli também enfatizou que a pandemia revelou ao MCTI a necessidade de maior autonomia e soberania do Brasil no desenvolvimento de vacinas. “Um dos grandes legados desse programa, além da vacina contra COVID-19, é que aprendemos como conduzir um processo até a Anvisa e realizar testes clínicos”, comentou o pesquisador.
Além das pesquisas relacionadas à COVID-19, o CT-Vacinas também está empenhado no desenvolvimento de vacinas contra outras doenças como malária, leishmaniose, doença de Chagas e monkeypox. O coordenador reforçou: “Sabemos que vacinas realmente protegem. Quanto mais pessoas vacinadas, maior será a proteção coletiva”.