Vacina do HPV protege contra câncer de cabeça e pescoço
Atualização da Anvisa oficializa proteção contra tumores de orofaringe no imunizante nonavalente. Entenda a diferença para a dose do SUS e custos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 11/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
A vacina do HPV (papilomavírus humano) ganhou uma nova e crucial indicação no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou a bula do imunizante nonavalente — disponível exclusivamente na rede privada — para incluir oficialmente a proteção contra câncer de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço associados ao vírus.
Anteriormente, o Brasil contava majoritariamente com a versão quadrivalente, ofertada pelo SUS, que protege contra os genótipos 6, 11, 16 e 18. A aprovação da versão nonavalente em 2023 ampliou o espectro de defesa, cobrindo também os tipos de risco 31, 33, 45, 52 e 58.
Diferenças de proteção entre as doses
No Sistema Único de Saúde (SUS), o imunizante disponível para o público de 9 a 14 anos permanece sendo o quadrivalente. Sua bula indica prevenção contra cânceres de colo do útero, vulva, vagina e ânus, além de verrugas genitais. Embora o texto oficial do SUS não mencione explicitamente os tumores de cabeça e pescoço, especialistas apontam que a eficácia existe.
Rosana Richtmann, consultora em vacinas da Dasa, esclarece que o tipo 16 do vírus é o grande vilão, responsável pela maioria dos casos de câncer de orofaringe. Como ambas as fórmulas combatem esse genótipo, a proteção ocorre nos dois cenários.
“A gente imagina que a proteção da vacina do HPV nonavalente e da quadrivalente contra esse tipo de tumor seja muito semelhante”, afirma a infectologista.
Vacina do HPV e o impacto na saúde masculina
Dados clínicos reforçam a urgência da imunização. Marcos André Costa, oncologista do Hospital Nove de Julho, destaca que aproximadamente 40% dos tumores de cabeça e pescoço possuem associação direta com o vírus. A incidência é predominantemente maior na população masculina.
A ampliação da bula baseia-se na capacidade da vacina do HPV em reduzir infecções crônicas na orofaringe. Ao diminuir a exposição prolongada dos tecidos aos genótipos agressivos, o imunizante corta o mal pela raiz, evitando o desenvolvimento de células malignas.
Estudos de “vida real”, realizados fora de ensaios clínicos controlados, validaram essa eficácia. Uma pesquisa brasileira com mais de 5.000 jovens (16 a 25 anos) demonstrou que a prevalência de infecção oral em mulheres vacinadas foi de apenas 0,43%, contra 1,65% nas não vacinadas.
Custos e recomendação etária
Na rede particular, a aplicação da nonavalente é autorizada para pessoas de 9 a 45 anos. O investimento financeiro é considerável, visto que não há previsão de incorporação desta versão tecnológica pelo Ministério da Saúde no curto prazo.
Valores estimados na rede privada:
- 1ª dose: R$ 940
- Esquema com 2 doses: R$ 1.786
- Esquema completo (3 doses): R$ 2.679
Rosane Orth Argenta, CEO da Saúde Livre Vacinas, alerta que a imunização deve ocorrer preferencialmente aos 9 anos. A recomendação ignora o início da vida sexual e foca puramente na resposta biológica: crianças produzem mais anticorpos, garantindo uma defesa mais robusta e duradoura proporcionada pela vacina do HPV.
Cenário de mortalidade e diagnósticos tardios
A falta de um rastreamento padronizado para câncer de orofaringe — ao contrário do que ocorre com o colo do útero — torna a prevenção primária essencial. Cerca de 76% dos casos de câncer de cabeça e pescoço são diagnosticados em estágios avançados, exigindo tratamentos muitas vezes mutiladores, que comprometem a fala, a deglutição e a estética facial.
As taxas de mortalidade no Brasil apresentaram uma leve queda entre 2017 e 2020, recuando de 5,69 para 5,12 óbitos por 100 mil habitantes. Contudo, a agressividade da doença reforça que a melhor estratégia de saúde pública continua sendo a aplicação da vacina do HPV.