Vacina da dengue da Takeda tem produção nacional vetada

Ministério da Saúde aponta falhas na transferência de tecnologia e impede fabricação do imunizante pela Fiocruz no Brasil.

Crédito: Jefferson Botega/Agencia RBS

A vacina da dengue da Takeda teve seu projeto de fabricação nacional rejeitado pelo Ministério da Saúde. A decisão barrou a proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) apresentada pelo laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em conjunto com a farmacêutica.

Segundo a pasta, o projeto não cumpriu os requisitos mínimos exigidos pelo programa governamental. A principal falha identificada foi a ausência de garantia sobre o acesso integral ao conhecimento para a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA). Sem o domínio dessa tecnologia, a autonomia brasileira na fabricação do imunizante fica comprometida, inviabilizando a aprovação da parceria nos moldes atuais.

Não houve contestação formal ao veredito do ministério. A reportagem buscou contato com a assessoria da Fiocruz, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Entraves para a vacina da dengue da Takeda no Brasil

A farmacêutica Takeda Pharma defende que possui condições técnicas para efetivar a parceria. Em nota, a empresa reiterou sua disposição para dialogar com o Governo Federal, visando encontrar soluções que permitam a produção local da vacina da dengue da Takeda. O objetivo declarado da empresa é fortalecer a capacidade de imunização do país e ampliar o acesso da população ao fármaco.

No entanto, a viabilidade industrial enfrenta obstáculos físicos. Relatórios de abril de 2024, elaborados pela própria Fiocruz, apontam que Bio-Manguinhos opera em condições críticas. O documento “Demandas do SUS e ausência de capacidade produtiva” alerta para o risco de colapso caso novas demandas sejam absorvidas sem a expansão da infraestrutura.

Para fabricar a vacina da dengue da Takeda nas instalações atuais, a Fiocruz precisaria interromper ou reduzir drasticamente a produção de outras vacinas essenciais. Essa manobra afetaria diretamente o Programa Nacional de Imunizações e compromissos com as Nações Unidas, podendo elevar o número de óbitos por outras doenças preveníveis.

Impacto na estratégia de vacinação do SUS

A produção local da Qdenga é considerada estratégica para expandir a proteção contra a dengue no Brasil. Atualmente, o imunizante é oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) com restrições severas, atendendo apenas o público de 10 a 14 anos devido à escassez de doses.

A dependência da construção de uma nova fábrica para atender à demanda do SUS coloca o projeto em um horizonte de longo prazo. A rejeição da PDP atual reforça a necessidade de reestruturação industrial antes que a incorporação da vacina da dengue da Takeda possa ocorrer de forma sustentável e com total transferência de tecnologia.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 11/01/2026
  • Fonte: FERVER