Vacina contra chikungunya apresenta eficácia surpreendente após um ano
Estudo clínico de fase 3 conduzido no Brasil em parceria com a farmacêutica Valneva acompanhou adolescentes vacinados durante 12 meses; imunizante mostrou-se seguro e eficaz
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 25/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Dados recentes, divulgados no dia 20, evidenciam que a imunidade conferida pela vacina contra chikungunya, desenvolvida em colaboração entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Valneva, permanece estável um ano após a administração da dose única. As informações foram obtidas através de um estudo clínico de fase 3 realizado pelo Butantan com 750 adolescentes de 12 a 17 anos residentes em áreas endêmicas da doença no Brasil. Após um ano de monitoramento, impressionantes 98,3% dos participantes ainda apresentavam anticorpos contra o vírus.
Em setembro do ano anterior, o Butantan já havia compartilhado os primeiros resultados do estudo em adolescentes na publicação The Lancet Infectious Diseases. No 28º dia pós-vacinação, foi observada a produção de anticorpos em todos os voluntários com histórico de infecção anterior e em 98,8% dos que não tinham contato prévio com o vírus. Seis meses após a vacinação, a taxa de proteção se manteve elevada, alcançando 99,1% dos envolvidos.
A pesquisa começou em 2022 e focou em jovens que habitam regiões com alta circulação do vírus, incluindo cidades como São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Laranjeiras (SE), Recife (PE), Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Boa Vista (RR).
Os resultados positivos observados em adolescentes estão alinhados com os dados do ensaio clínico de fase 3 realizado nos Estados Unidos, que envolveu cerca de 4 mil voluntários adultos entre 18 e 65 anos. Neste estudo, a imunogenicidade foi registrada em 98,9%, mantendo-se por pelo menos seis meses.
Os achados do estudo americano fundamentaram o pedido formal feito pela Valneva e pelo Butantan à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2023, visando à autorização para uso definitivo da vacina no Brasil. Este imunizante já recebeu aprovação para aplicação em adultos nos Estados Unidos pela Food and Drug Administration (FDA) e na Europa pela European Medicines Agency (EMA). Os resultados obtidos com os adolescentes brasileiros podem sustentar uma possível ampliação da faixa etária contemplada no pedido à Anvisa, que atualmente visa a população entre 18 e 65 anos.
Tanto o estudo realizado no Brasil quanto o norte-americano confirmaram a segurança e boa tolerabilidade da vacina contra chikungunya entre adolescentes e adultos. O comitê independente não identificou problemas significativos relacionados à segurança do imunizante, e a maioria das reações adversas relatadas foram leves ou moderadas.
Aumento do Risco de Chikungunya Durante o Verão
A chikungunya é uma doença viral amplamente disseminada globalmente, caracterizada por causar dor crônica nas articulações. O vírus é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, vetor também responsável pela transmissão da dengue e Zika. Durante o verão, as condições climáticas favoráveis e as chuvas intensas favorecem a proliferação deste mosquito, demandando atenção especial nas medidas preventivas. A principal recomendação é eliminar qualquer acúmulo de água que possa servir como criadouro para os mosquitos, incluindo recipientes como vasos de plantas, pneus descartados, garrafas plásticas e piscinas desativadas.
No primeiro semestre de 2024, foram registrados aproximadamente 233 mil casos prováveis de chikungunya no Brasil, representando um aumento alarmante de 78,8% comparado ao mesmo período em 2023, conforme relatório do Ministério da Saúde. A região Sudeste apresentou a maior taxa de incidência com 200,2 casos por cada 100 mil habitantes, seguida pelas regiões Centro-Oeste (187,6 casos/100 mil habitantes) e Sul (108,6 casos/100 mil habitantes). Em todo o ano passado, contabilizou-se um total de 267 mil casos prováveis e 213 mortes confirmadas devido à doença.
A infecção por chikungunya manifesta-se com sintomas como febre alta (superior a 38,5°C), dores intensas nas articulações e músculos, além de manchas vermelhas na pele. Em casos mais severos, os pacientes podem desenvolver dor crônica nas articulações que perdura por anos.