USP recomenda fim da greve estudantil após 54 dias de paralisação
Após 54 dias de paralisação, estudantes da USP recomendam fim da greve e retorno gradual das aulas
- Publicado: 08/06/2026 23:01
- Alterado: 08/06/2026 23:01
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
Os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) decidiram, em assembleia realizada na noite desta segunda-feira (8), recomendar o encerramento da greve estudantil após 54 dias de paralisação. A votação terminou com 323 votos favoráveis ao fim do movimento, 255 pela continuidade e 9 abstenções.
Apesar da decisão, a greve da USP ainda não está oficialmente encerrada. Cada faculdade deverá realizar assembleias próprias nos próximos dias para deliberar sobre o retorno às aulas e a retomada das atividades acadêmicas.
USP teve uma das maiores mobilizações estudantis da década
A greve começou em 14 de abril e se consolidou como uma das maiores mobilizações estudantis da universidade na última década, alcançando as 43 unidades da instituição.
Inicialmente, o movimento surgiu em reação à criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), bônus destinado a docentes. No entanto, as reivindicações passaram a se concentrar em pautas ligadas à permanência estudantil.
A principal demanda dos estudantes era o reajuste do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), voltado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Os estudantes chegaram a pedir a equiparação do benefício ao salário mínimo paulista, de R$ 1.874, mas posteriormente reduziram a reivindicação para R$ 1.096 mensais.
Reitoria ofereceu reajuste e melhorias no Crusp
A reitoria da USP propôs reajuste do auxílio estudantil de R$ 885 para R$ 912, valor correspondente à recomposição inflacionária acumulada desde 2022.
Além disso, a administração universitária anunciou melhorias no Crusp (Conjunto Residencial da USP) e a ampliação dos canais de diálogo com os estudantes. As medidas, porém, foram consideradas insuficientes pelos organizadores do movimento.
Durante quase dois meses, a greve foi marcada por protestos, piquetes e ocupações. O momento de maior tensão ocorreu em maio, quando estudantes ocuparam a reitoria para pressionar pela retomada das negociações. A universidade acionou a Polícia Militar para retomar o prédio.
Retorno gradual das aulas ganhou força na USP
Nas últimas semanas, parte importante da universidade já havia retomado o funcionamento normal, incluindo as faculdades de Direito e Medicina, a Escola Politécnica e campi do interior paulista.
Com a adesão à paralisação perdendo força e a proximidade do encerramento do semestre letivo, cresceu entre os próprios estudantes a defesa de uma saída negociada para evitar maiores prejuízos acadêmicos.
Agora, a expectativa se concentra na definição do calendário de reposição das aulas e atividades suspensas ao longo da greve.