Uso da IA diminuirá vagas para iniciantes, diz pesquisa
Pesquisa da PwC indica que automação reduzirá contratações júnior em três anos, criando um dilema para a formação de novos líderes no Brasil.
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 19/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
O uso da IA transformará radicalmente a porta de entrada do mercado de trabalho, com 60% dos CEOs brasileiros projetando uma redução no número de vagas para iniciantes nos próximos três anos. A constatação faz parte da 29ª edição do CEO Survey, estudo global da consultoria PwC divulgado nesta segunda-feira (19), que ouviu mais de 4.400 líderes em 95 países.
Essa tendência reflete uma mudança estrutural nos processos produtivos. A tecnologia passa a absorver funções operacionais básicas, historicamente delegadas a quem está começando a carreira. Embora quase metade dos líderes nacionais preveja cortes leves, o cenário global é ainda mais severo: dois terços dos executivos estrangeiros projetam diminuições drásticas nas contratações de entrada.
O dilema da qualificação futura com o uso da IA
A eliminação desses postos cria um paradoxo corporativo. Marco Castro, CEO da PwC Brasil, alerta que o corte na base da pirâmide organizacional pode gerar um “apagão” de lideranças no futuro. Sem a experiência prática adquirida nas funções iniciais, os profissionais podem não desenvolver o conhecimento necessário sobre os processos fundamentais das empresas.
“Estamos diante de um momento em que as carreiras precisam ser redefinidas, e os formatos de desenvolvimento profissional devem ser reestruturados”, afirma Castro.
Ao contrário dos iniciantes, as posições de nível médio e sênior sofrerão impactos menos pronunciados. O desafio central será adaptar o modelo de aprendizado corporativo em um ambiente onde o uso da IA executa as tarefas que antes ensinavam os estagiários e assistentes.
Retorno financeiro e uso da IA nas empresas
Apesar da adoção acelerada, a eficiência financeira da inteligência artificial ainda divide opiniões. No Brasil, a tecnologia é aplicada majoritariamente na geração de demanda e no atendimento ao cliente. Contudo, 56% dos executivos afirmam não ter notado impacto positivo nas operações até o momento.
Os dados sobre a rentabilidade mostram um cenário misto:
- 37% dos CEOs observaram aumento na receita no último ano.
- Mais de 25% reportaram redução de custos operacionais.
- A resistência cultural e a aversão ao risco (apenas 20% aceitam projetos de alta incerteza) travam inovações mais profundas.
Essa dificuldade em mensurar o retorno imediato do uso da IA contrasta com a necessidade de inovação, reconhecida como pilar estratégico por mais da metade das companhias nacionais.
Visão de curto prazo e cenário econômico
A pesquisa revela uma gestão focada no imediatismo. Executivos brasileiros dedicam mais de 50% do tempo a problemas de curto prazo, deixando apenas 11% da agenda para estratégias de longo prazo. Em comparação, líderes chineses investem quase metade do tempo planejando o futuro médio da organização.
O otimismo econômico também sofreu um revés. A confiança na economia caiu de 50% em 2025 para 38% atualmente. Ainda assim, as empresas brasileiras mostram resiliência através da diversificação:
- 51% entraram em novos setores nos últimos cinco anos (acima da média global de 42%).
- 49% planejam investimentos internacionais, com foco nos Estados Unidos.
Além das questões tecnológicas e econômicas, o fator climático ganha relevância. Quatro em cada dez líderes consideram suas empresas moderadamente expostas a riscos ambientais, com o agronegócio sendo apontado como o setor de maior vulnerabilidade. Em última análise, a capacidade de adaptação será determinante, seja para mitigar riscos climáticos ou para equilibrar a automação trazida pelo uso da IA com a preservação do capital humano.