Urna Eletrônica: 6 pontos-chave da segurança

Com três décadas de história no Brasil, a urna eletrônica se consolida como pilar da democracia, garantindo total transparência e segurança em cada voto

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Em 1996, o Brasil deu um salto tecnológico na história de sua democracia ao introduzir a urna eletrônica, um equipamento que, em 2026, completa 30 anos como protagonista no processo eleitoral. Desde sua implementação, a tecnologia desenvolvida pela Justiça Eleitoral eliminou as fraudes que marcavam o sistema de cédulas de papel, estabelecendo um padrão internacional de confiabilidade.

A robustez do sistema é comprovada por um fato crucial: em quase três décadas de uso, não houve nenhuma fraude comprovada capaz de alterar o resultado de uma eleição ou quebrar o sigilo do voto. Essa conquista não se deve apenas à máquina em si, mas a um ciclo completo e auditável de segurança que envolve tecnologia de ponta e ampla fiscalização.

A Auditoria Eletrônica: O Segredo da Integridade da Urna Eletrônica

Investigadores analisam componentes da urna durante Teste Público de Segurança / Foto: TSE

O coração da segurança e da transparência da urna eletrônica reside no fato de o voto ser totalmente auditável. Diversos mecanismos garantem que o processo possa ser fiscalizado antes, durante e depois de cada pleito. Um dos pilares dessa auditabilidade é o Registro Digital do Voto (RDV).

O RDV é uma espécie de tabela digital que armazena todos os votos digitados na urna, de forma aleatória e embaralhada. Essa “impressão digital” do voto substitui a antiga cédula de papel e oferece uma segurança muito maior:

  • Integridade Garantida: Ao contrário das cédulas de papel, que poderiam ser riscadas, rasgadas ou desviadas, o RDV não permite que os dados guardados na urna sejam modificados após o registro.
  • Sigilo Preservado: Os votos são salvos de maneira desvinculada do eleitor ou do horário do registro, preservando o sigilo constitucional.

Após a conclusão da votação e totalização, os dados do RDV podem ser comparados com os Boletins de Urna, que são impressos e afixados nos locais de votação. Essa possibilidade de cruzamento de informações é vital. Partidos políticos e coligações têm o direito de solicitar os RDVs de todas as urnas, e eles também são publicados na internet, reforçando a transparência do processo.

6 Recursos Essenciais que Protegem a Urna Eletrônica

Para manter a integridade do sistema, a Justiça Eleitoral utiliza uma combinação de seis recursos de segurança da informação e auditoria pública:

Criptografia e Assinatura Digital: As Chaves Tecnológicas

  1. Criptografia: Este método protege informações sensíveis, como os votos e os dados biométricos do eleitorado, por meio de algoritmos codificados. Todos os dados são transformados em sinais embaralhados, e apenas quem possui a chave correta pode decifrá-los, garantindo o anonimato da votação e a segurança da biometria.
  2. Assinatura Digital: Recurso que atesta a autenticidade de um sistema eletrônico. É como um certificado digital que assegura a autoria, garantindo que o software da urna é exatamente aquele produzido e validado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
  3. Hashes (Resumos Digitais): Códigos únicos gerados na cerimônia de lacração dos sistemas. Eles funcionam como a impressão digital de cada programa. Se houver qualquer alteração no código-fonte, o hash se modifica, e a urna para de funcionar imediatamente, emitindo um alerta de erro de integridade.

O Ciclo de Transparência e a Fiscalização

  1. Abertura do Código-Fonte: No Ciclo de Transparência Democrática, o código-fonte — o conjunto de instruções que determina o funcionamento da urna eletrônica — é aberto para inspeção pública por especialistas e entidades fiscalizadoras antes do pleito, reforçando a confiança.
  2. Teste Público da Urna: Neste evento, especialistas de informática são convidados a tentar quebrar a segurança do sistema. O objetivo é proativo: identificar e corrigir possíveis pontos de melhoria, antes que a máquina seja utilizada em campo.
  3. Testes de Integridade e de Autenticidade: Realizados na véspera e no dia da votação, são as auditorias finais. O Teste de Integridade simula uma votação para comprovar que o voto marcado em cédula de papel (na simulação) é o mesmo contabilizado eletronicamente. O Teste de Autenticidade confirma que os programas inseridos nas máquinas são idênticos aos assinados e lacrados pelo TSE.

Com esse conjunto de auditorias, o sistema eletrônico de votação, que em 2026 celebrará seus 30 anos de sucesso, assegura um processo eleitoral rápido, seguro e absolutamente transparente para os milhões de brasileiros.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 21/10/2025
  • Fonte: Sorria!,