Universidade sem impacto social forma profissionais pela metade
Sem impacto social, universidades limitam a formação; extensão e engajamento estudantil ainda não alcançam a maioria dos alunos
- Publicado: 20/03/2026 11:46
- Alterado: 20/03/2026 11:46
- Autor: Dom Veiga
- Fonte: Adote um Cidadão
Existe um ponto cego dentro do ensino superior brasileiro que precisa ser encarado com mais honestidade: a distância entre o discurso institucional e o impacto social. Universidades falam, com frequência, sobre formar cidadãos críticos, conscientes e preparados para transformar a sociedade. Mas, na realidade, a responsabilidade social ainda ocupa um espaço periférico dentro da jornada acadêmica — muitas vezes tratada como iniciativa complementar, quando deveria ser parte central da formação.
Os dados ajudam a tirar esse debate do campo da opinião. Levantamentos do Fórum Nacional de Extensão Universitária (FORPROEX) mostram que, apesar do crescimento das ações de extensão, a participação ativa dos universitários ainda é limitada. Em diversas instituições, menos de 30% dos alunos se envolvem diretamente em projetos sociais ao longo da graduação.
Isso revela um cenário incômodo: uma parcela significativa atravessa a universidade sem estabelecer qualquer conexão prática com a realidade social que a cerca. E isso não é irrelevante. Formar profissionais sem repertório humano, sem senso coletivo e sem vivência de impacto social é, no limite, formar pela metade.
Distância entre discurso acadêmico e prática social

Diante dessa lacuna, um movimento começa a ganhar força de dentro para fora. Atléticas e Centros Acadêmicos, tradicionalmente associados à vida estudantil e à integração entre alunos, vêm assumindo um papel que ultrapassa a representatividade e entra no campo da mobilização social estruturada.
Com comunicação direta, senso de pertencimento e capacidade de engajamento real, essas entidades têm demonstrado algo simples e poderoso: quando o universitário se organiza, o impacto acontece.
Mobilização estudantil e impacto social no ABC Paulista
No ABC Paulista, essa mobilização em prol do impacto social já é concreta. Universidades como Mauá, FEI e UFABC vêm se articulando, por meio de suas lideranças estudantis, em parceria com a Associação Adote um Cidadão, para impulsionar duas frentes de atuação que traduzem bem esse novo posicionamento.
A primeira delas é a Páscoa Eficiente, campanha voltada à arrecadação de caixas de bombom para crianças em situação de vulnerabilidade social. Uma ação direta, tangível, que transforma pequenos gestos em experiências reais de acolhimento e alegria.
A segunda é o Gotas Eficientes, que mobiliza universitários em torno da doação de sangue, reforçando uma mensagem de impacto social que carrega força e responsabilidade: universitários se unindo para salvar vidas.
Mais do que campanhas, essas iniciativas representam uma mudança de postura. A participação deixa de ser eventual e passa a refletir um compromisso contínuo com o outro. Como destaca Brisa Paschoal, Diretora Social da CAAP (UFABC): “O engajamento dos estudantes em ações sociais reforça o papel da universidade como agente de transformação na sociedade, aproximando o conhecimento das salas de aula da realidade e contribuindo diretamente com quem mais precisa. A parceria das atléticas com o Adote um Cidadão mostra como a mobilização dos alunos ganha força quando é coletiva, gerando resultados concretos na comunidade”, diz.
Na mesma linha, Gabriel Sampei, Presidente da Atlética da FEI, traz uma reflexão que desloca o debate do incentivo para a responsabilidade individual: “Como doador regular, entendo que o nosso papel vai além de incentivar; trata-se de dar o exemplo. Acredito que a doação de sangue deveria ser uma prática comum a todos, pois é um gesto simples que tem o poder de ajudar o próximo de forma constante e vital”, pontua.
A fala é direta — e justamente por isso, difícil de ignorar. Porque desmonta a ideia de que impacto social exige grandes estruturas. Em muitos casos, o que falta não é recurso, é decisão. O próprio slogan do Gotas Eficientes sintetiza essa lógica com precisão: “Doe o amor que corre em suas veias.” Não há complexidade nisso. Há escolha.
Da mobilização à transformação estrutural

O que se observa agora no ABC não deveria ser exceção, mas referência. A mobilização já começou, as lideranças estudantis já entenderam seu papel e as primeiras universidades já deram o passo. Falta ampliar.
Se a universidade é, por definição, um espaço de formação, ela precisa ser também um espaço de prática. E isso não depende exclusivamente das instituições — depende, sobretudo, de quem vive o ambiente acadêmico todos os dias.
Mobilização aberta
Mais universidades podem — e devem — fazer parte desse movimento. Levar o Gotas Eficientes para dentro do campus, engajar atléticas, Centros Acadêmicos e grupos de alunos não é apenas apoiar uma campanha. É assumir, na prática, o papel social que o ensino superior afirma ter.
Porque, no fim, a diferença entre discurso e transformação continua sendo uma só: ação.
Adote um Cidadão
Há 27 anos, o Adote um Cidadão atua na inclusão de pessoas com deficiência e cidadãos em situação de vulnerabilidade social. Sem receber recursos públicos ou incentivos fiscais, a organização desenvolve ações socioeducativas, esportivas e culturais em diferentes regiões do Brasil, promovendo dignidade, pertencimento e oportunidades reais.
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