Universalização do saneamento na Grande SP gera impactos bilionários; saiba mais
Estudo mostra que investimentos na Bacia do Rio Pinheiros, na Região Metropolitana de São Paulo, resultaram em ganhos sociais de R$ 7,9 bilhões entre 2000 e 2022
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 16/06/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
A universalização do saneamento básico na Bacia do Rio Pinheiros, na Região Metropolitana de São Paulo, promoveu uma das maiores transformações sociais e ambientais da capital paulista nas últimas décadas.
Com 96,6% da população conectada à rede de esgoto em 2022, os investimentos no setor resultaram em um impacto econômico e social direto de R$ 7,9 bilhões entre 2000 e 2022. Considerando o legado das melhorias, esse valor ultrapassa os R$ 16 bilhões, segundo estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria Ex Ante.
O avanço se reflete na qualidade de vida de mais de 3,2 milhões de pessoas que residem nos municípios da bacia: São Paulo (86% da população), Taboão da Serra (8%) e Embu das Artes (5%).
Saúde pública e produtividade: os maiores ganhos
A pesquisa mostra que a cada R$ 1 investido em saneamento, houve um retorno de R$ 1,70 em ganhos sociais.
“Os resultados mostram que o saneamento básico é investimento com retorno garantido. Na Bacia do Rio Pinheiros, foram gerados benefícios de quase R$ 8 bilhões até 2022, e o legado da universalização proporcionará mais R$ 8 bilhões em ganhos socioeconômicos”, destaca Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.
Um dos principais impactos positivos está na saúde da população. A taxa de internações por doenças de veiculação hídrica e respiratórias caiu 3,7% ao ano entre 2000 e 2022.
Ao final desse período, a média na bacia era de 23 internações a cada mil habitantes, enquanto a média nacional era de 42. Esse avanço representa uma economia de R$ 1,5 bilhão em custos com saúde.
Além disso, o aumento de produtividade, decorrente de menor afastamento por doenças, trouxe um ganho estimado de R$ 661 milhões no período. A renda média dos trabalhadores com acesso à coleta de esgoto chega a R$ 5.154, quase três vezes maior que a de quem não tem acesso, que gira em torno de R$ 1.677.
Valorização imobiliária e turismo em alta
A melhora na infraestrutura refletiu diretamente na valorização imobiliária. Imóveis com acesso à coleta de esgoto na capital têm valor de aluguel médio de R$ 1.529, frente a R$ 685 nas áreas não atendidas.
O efeito se estende também ao turismo: a cada aumento percentual de cobertura de esgoto, há crescimento na geração de empregos ligados ao setor.
Segundo o levantamento, os ganhos com o turismo associados à recuperação ambiental da região somaram R$ 486,9 milhões entre 2000 e 2022. Esse valor deverá chegar a R$ 1,3 bilhão nos próximos anos.
Educação e mobilidade social impulsionadas
Os efeitos do saneamento também se estendem à educação. Crianças em áreas com saneamento adequado faltam menos às aulas, têm desempenho superior no Enem, especialmente em matemática e ciências, e atingem maior escolaridade.
A média de anos de estudo é de 10,5 para quem tem acesso ao saneamento, contra 7,6 anos para quem não tem. Essa diminuição na escolaridade se dá aos problemas ligados à falta de saneamento como doenças que podem levar à hospitalização do estudante.
Projeto Novo Rio Pinheiros e a perpetuidade dos ganhos

Iniciado em 2020, o Programa Novo Rio Pinheiros foi essencial para acelerar a universalização do saneamento na bacia. Com foco na despoluição e na coleta e tratamento de esgoto, o projeto gerou até agora R$ 1,08 bilhão em ganhos líquidos.
Os benefícios totais estimados para os próximos anos ultrapassam R$ 2,78 bilhões, com investimentos de aproximadamente R$ 1,7 bilhão.
Luana Pretto reforça: “Reverter décadas de degradação ambiental é uma ação que devolve à população um rio mais limpo, mas também dignidade e qualidade de vida. O acesso ao saneamento transforma realidades”.
Inclusão social com o Se Liga na Rede (Pró-Conexão )
Um dos principais instrumentos para garantir a equidade no acesso ao saneamento básico foi a implementação do programa Se Liga na Rede, conhecido no contrato 01/2024 da Sabesp como Pró-Conexão. Voltado às populações em situação de vulnerabilidade, o programa viabiliza a ligação de esgoto dentro da residência de forma gratuita, levando o serviço não apenas até a rua, mas conectando diretamente os imóveis à rede coletora. Isso inclui banheiros, pias e tanques, garantindo dignidade e saúde para milhares de famílias que antes não dispunham de condições técnicas ou financeiras para realizar a conexão.
O contrato estabelece que 30% dos recursos oriundos da desestatização da Sabesp sejam aportados no Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento Paulista (FAUSP), que financia ações como o Pró-Conexão, além de políticas tarifárias sociais.
O programa também conta com critérios técnicos para identificação dos beneficiários, utilizando dados da Fundação Seade para mapear assentamentos Inclusão social com o Se Liga na Rede (Pró-Conexão)
Um dos principais instrumentos para garantir a equidade no acesso ao saneamento básico foi a implementação do programa Se Liga na Rede, conhecido no contrato 01/2024 da Sabesp como Pró-Conexão.
Voltado às populações em situação de vulnerabilidade, o programa viabiliza a ligação de esgoto para dentro da residência de forma gratuita, levando o serviço não apenas até a rua, mas conectando diretamente os imóveis à rede coletora. Isso inclui banheiros, pias e tanques, garantindo dignidade e saúde para milhares de famílias que antes não dispunham de condições técnicas ou financeiras para realizar a conexão.
O contrato estabelece que 30% dos recursos oriundos da desestatização da Sabesp sejam aportados no Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento Paulista (FAUSP), que financia ações como o Pró-Conexão, além de políticas tarifárias sociais.
O programa também conta com critérios técnicos para identificação dos beneficiários, utilizando dados da FUNASA para mapear assentamentos precários e famílias elegíveis ao atendimento.
“A Sabesp contratou o que a gente chama de um censo rural. Por meio desse censo rural, vai ser possível identificar as necessidades dessas áreas nos 371 municípios operados e, portanto, entendendo, diagnosticando qual é a necessidade e automaticamente também verificando o aceite em relação a essa população para que a Sabesp leve algum tipo de atendimento de água ou esgoto, seja ele um atendimento coletivo, seja ele um atendimento isolado, como a gente disse, ou um atendimento, inclusive, individualizado, dependendo da característica de cada local” explicou Meunim Oliveira Jr., diretor de relações institucionais são Sabesp.
O Pró-Conexão fortalece o conceito de que saneamento é também inclusão social. Ao permitir o acesso pleno à rede de esgoto, reduz-se o risco de doenças, melhora-se a qualidade de vida e amplia-se a perspectiva de futuro para as comunidades mais impactadas pela falta histórica de infraestrutura. O programa é apontado como modelo de política pública para replicação em outras regiões do país.
Perspectivas futuras e governança integrada
Além dos resultados já colhidos, a expectativa é que os ganhos sociais se perpetuem. O estudo prevê um impacto adicional de R$ 8 bilhões nos próximos anos, como fruto de melhorias em saúde, educação, produtividade e qualidade ambiental.
A continuidade do sucesso depende da governança integrada, coordenada entre Estado, Sabesp, prefeituras e sociedade civil.
Esther Viana, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, comentou sobre a integração.
“A governança integrada permite que a sociedade civil seja parte da solução. A população se apropria dos espaços e ajuda a preservar os avanços conquistados”.