Unfair Play: Lava Jato investiga compra de votos para Olimpíada de 2016
PF e MPF cumprem mandados de busca na casa de Carlos Arthur Nuzman e no Comitê Olímpico Brasileiro. Empresário conhecido como 'Rei Arthur' é alvo de mandado de prisão.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/09/2017
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Polícia Federal faz buscas nesta terça-feira contra o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, na Operação Unfair Play. O dirigente está sob suspeita em investigação iniciada na França sobre o pagamento de propina de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 4,7 milhões). Em março, o jornal francês “Le Monde” havia denunciado que, três dias antes da escolha da cidade sede, houve pagamento de propina a dirigentes do Comitê Olímpico Internacional. Investigações apontam que um dos votos foi comprado de Lamine Diack –presidente da Federação Internacional de Atletismo na época e membro do Comitê Olímpico Internacional –, através de seu filho, Papa Massata Diack. Nuzman foi intimado a depor nesta terça. A investigação mira na compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016.
A Unfair Play foi deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Receita contra “um esquema criminoso envolvendo o pagamento de propina em troca da contratação de empresas terceirizadas por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro”.
Um procurador francês acompanha a operação, que cumpre outros mandados. As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. O empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como Rei Arthur, ex-dono da empresa Facility, que vive em Miami, nos Estados Unidos, pode ser preso lá. Eliane Pereira Cavalcante, sua ex-sócia, foi presa na manhã desta terça-feira (5).
Em nota, a PF informou que 70 policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio, na cidade do Rio de Janeiro – Leblon, Ipanema, Lagoa, Centro, São Conrado, Barra da Tijuca e Jacaré -, no município de Nova Iguaçu e em Paris.
Segundo a PF, as investigações, iniciadas há nove meses, apontam que os pagamentos teriam sido efetuados tanto diretamente com a entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e também por meio do pagamento de despesas pessoais. Além disso, teriam sido realizadas transferências bancárias no exterior para contas de doleiros.
“Os fatos apurados indicam a possibilidade de participação do dono das empresas terceirizadas em suposto esquema de corrupção internacional para a compra de votos para a escolha da capital fluminense pelo Comitê Olímpico Internacional como sede das Olimpíadas 2016, o que ensejou pedido de cooperação internacional com a França e os Estados Unidos”, informou a PF. Os presos serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.