Uma hora o torcedor cansa!

Mesmo com a paixão do torcedor lusitano, a Portuguesa parece não aprender a lição

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Ser torcedor não é uma tarefa fácil, todos concordamos com isto, principalmente no futebol. É um esporte que nos exige quase uma devoção. Temos nossa rotina e hábitos que são comuns entre aqueles que torcem para algum clube. Compramos camisas, acompanhamos noticiários, assistimos aos jogos, tanto pela TV quanto em alguns casos no próprio estádio. Existem aqueles que cometem loucuras pelo seu time, como por exemplo, perder emprego para assistir o time em uma final de Libertadores ou Mundial.

Em meio à tantos sentimentos, ora de alegrias e comemorações, ora de sofrimento, choro e angústia. Hoje decidi falar sobre o torcedor da Portuguesa de Desportos, que se encaixa perfeitamente neste contexto, porque é torcedor apaixonado de uma das equipes mais tradicionais do nosso futebol e, mesmo com as crises nas últimas décadas, sempre se mostrou presente.

Do céu ao inferno em poucos anos

Em 1996 foi o ano em que a Lusa fez seu torcedor sorrir, pois ficou marcada como uma das melhores equipes do país naquele ano, sendo vice-campeã brasileira. Foi neste momento que o time que se localiza na Marginal Tietê, na cidade de São Paulo, passou a ter o carinho dos torcedores rivais na capital paulista. Em 2002, aos seus 82 anos de história, veio a primeira decepção, com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Quatro anos depois, o primeiro descenso também no Paulista. Fez uma ótima campanha no Paulista A2 em 2007 e em 2008 retornou à elite do estadual.

A esperança de recuperação

O torcedor lusitano voltou a se animar exatamente em 2011, quando a “Barcelusa” deu um show na Série B do Campeonato Brasileiro daquele ano, considerada até hoje a segunda melhor campanha da história da Série B. Em 38 jogos, a Portuguesa teve 23 vitórias, 13 empates e apenas 3 derrotas, marcando 82 gols e sofrendo apenas 32, tendo ainda ficado invicta por 21 jogos durante essa competição. Torcedor de sorriso largo via a Portuguesa retornar para a elite em torneios nacionais.

O que parecia o ar da esperança de um ano próspero em 2012, fez o torcedor enxergar uma realidade completamente diferente. A Lusa começou o ano sendo rebaixada para a Série A-2 do estadual. Em quatro meses e meio o clube foi do céu ao inferno.

Mas apaixonado como sempre o torcedor lusitano via esperanças no Brasileirão. O então técnico Jorginho, responsável pela montagem da “Barcelusa”, foi trocado por Geninho para a competição nacional. Teve a chegada do goleiro pentacampeão do mundo Dida, substituindo Weverton que acabara de sair. As mudanças surtiram pouco efeito e a equipe paulista terminou o Campeonato Brasileiro em 16º, uma posição à frente da zona de rebaixamento.

Crises de 2013 à 2019

Em 2013 se envolveu em uma grande polêmica. Disputando o Campeonato Brasileiro regularmente, no dia 2 de dezembro, em partida válida pela 37ª e penúltima rodada da competição, diante do Bahia, o meia-atacante Héverton foi expulso. Porém, na última rodada o mesmo foi relacionado para a última rodada do Brasileirão, diante do Grêmio.

No dia 16 de dezembro de 2013, o STJD puniu a Portuguesa com a perda do ponto conquistado na partida (terminada em 0–0) e de mais 3 pontos, derrubando a Lusa para a 17ª posição e, consequentemente, para a zona de rebaixamento à Série B.

No final do mesmo ano, Ilídio Lico foi eleito presidente da Portuguesa para o triênio 2014-2016. Em 2014, a Lusa é rebaixada para a Série C do Campeonato Brasileiro. Em 15 para a Série D. E em 2017 termina o Campeonato Paulista da Série A2 em 13º, sendo evitado o rebaixamento por Votuporanguense e Velo Clube. Não contente a Portuguesa também é eliminada da competição nacional. Momento que o clube fica sem nenhuma divisão para jogar.

Renascimento

Em 2019 Antonio Carlos Castanheira foi eleito novo presidente da Portuguesa. Em 2020 o clube conquista a Copa Paulista e garante vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. Por fim, em 2022, após sete anos, a Portuguesa consegue de volta o acesso para a Série A1 do Campeonato Paulista

E é preciso dizer: uma hora o torcedor cansa

Depois de anos e anos deste sofrimento como vocês puderam perceber, a Portuguesa mesmo sem um time espetacular, imaginava-se fazer uma boa apresentação no Paulistão. A decepção começa pela estreia, onde perdeu para o Botafogo de Ribeirão Preto, em pleno Canindé. Na última rodada, empatou fora de casa com o Ituano.

E agora, recentemente, foi divulgado a notícia que a Lusa vendeu o mando de campo para a partida entre Portuguesa x Corinthians. Marcada inicialmente para o Canindé, no dia 12 de fevereiro, pela 8ª rodada do Campeonato Paulista, foi transferido para o estádio Mané Garrincha. A Lusa deve receber cerca de R$ 1 milhão em razão desta transferência.

Competição sendo disputada sem nenhuma qualidade técnica, mas com o torcedor presente em todos os jogos no Canindé. Aquele que mais esteve ao lado do clube naquele fase negativa que citamos aqui. Na primeira oportunidade que o clube teve para retribuir virou às costas.

A sensação é que para os dirigentes da Portuguesa pouco importa a paixão e o sofrimento que o seu torcedor carrega, pouco importa quantas bandeiras eles levantem, quantos quilômetros percorram para acompanhar o time, quanto gastem para que o clube não venha à falência. Mas daí a pergunta, do que adiantou? Um milhão ganho de maneira fácil não irá comprar o suor deste torcedor.

Por isso fica a reflexão: depois de anos sem ver um time brilhantes e de decepções após decepções, chegará o momento em que este torcedor cansará e não corresponderá mais. Tudo foi acontecendo de maneira natural. Se um dia a Lusa tiver um novo descenso e de novo uma crise, não espere por este torcedor. Ele não esquecerá!

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 20/01/2023
  • Fonte: FERVER