Um ano sem celulares: escolas vivem mudança cultural profunda
Educadora aponta retomada das interações sociais, desafios com famílias e impactos do uso excessivo de telas no comportamento de crianças e adolescentes
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 10/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
O impacto da proibição dos celulares nas escolas, após um ano de vigência, já pode ser sentido nos pátios e salas de aula, mas a educadora Carol Campos, diretora do Vozes da Educação, alerta que essa mudança vai muito além de uma nova regra: é uma transformação cultural profunda. O sinal mais claro dessa nova fase apareceu onde menos se esperava, no barulho dos recreios. Segundo Carol, o silêncio de jovens “grudados” nas telas de celulares deu lugar a conversas reais, risadas e até conflitos típicos da idade. Ela observa que, antes, as interações aconteciam pelo WhatsApp e os alunos mal se olhavam, perdendo habilidades sociais básicas.

Essa desconexão com o mundo físico chegou a pontos surpreendentes, com professores relatando que alguns alunos nem sequer sabem como manusear um livro. Carol conta que muitos pegam o objeto e tentam “passar o dedinho” na página, como se estivessem deslizando o dedo em um tablet. Além disso, o uso sem limites das redes sociais tem moldado comportamentos preocupantes, como meninas obcecadas pela “pele perfeita” e meninos reproduzindo falas de masculinidade tóxica e violência, como se as colegas estivessem ali apenas para servi-los.
Escola e família: o pacto necessário
Apesar da regra na escola, o desafio continua sendo o que acontece fora dela. Carol entende que muitos pais, exaustos pela rotina, acabam cedendo às telas para conseguir organizar a casa ou fazer o jantar, mas ela reforça que a escola não pode agir sozinha. Ela recomenda que as famílias evitem ao máximo as redes sociais, sugerindo que, se houver necessidade de entretenimento, a televisão ou aplicativos de filmes são caminhos menos viciantes.

Carol defende que a falta do estímulo constante das notificações é um convite à criatividade. Para ela, oferecer o tédio para crianças e adolescentes é um presente, pois, sem a tela para ocupar cada segundo, eles são forçados a buscar novas atividades e acabam descobrindo soluções criativas.
A proibição do celular nas escolas

Quando as regras da escola são quebradas, Carol acredita que a conversa e a responsabilização funcionam melhor do que a simples punição. Para ela, suspender o aluno é ineficaz, já que ele voltaria para casa e passaria o tempo todo justamente na tela. O ideal é que o jovem compreenda onde errou e sinta-se parte das normas do regimento interno. Agora, com o retorno às aulas, a atenção deve ser redobrada, pois o uso de eletrônicos costuma disparar durante as férias. Carol alerta que essas primeiras semanas podem ser um “imbróglio” de resistência, exigindo paciência e firmeza para que a escola continue sendo um espaço mais humano e menos digital.