Um ano após a enchente no RS, animais resgatados ainda buscam lares
Programa de adoção enfrenta desafios e a situação ainda é crítica
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Um ano após a devastadora enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, aproximadamente 20 mil animais foram resgatados e encaminhados para abrigos. Em agosto do mesmo ano, o governo estadual lançou um programa destinado à adoção desses pets, visando encontrar lares para os animais afetados.
Os efeitos da tragédia ainda são visíveis, com muitos animais à espera de um novo lar. Protetores de animais relatam que o acolhimento desses pets perdeu a atenção pública e que as dificuldades que já existiam antes da enchente foram exacerbadas por essa situação, agora em uma escala maior.
A enchente histórica causou danos significativos em quase todos os municípios do estado, resultando em 183 mortes e 27 desaparecidos, além de milhares de pessoas desabrigadas. Voluntários e doadores de todo o Brasil se mobilizaram para ajudar as vítimas, mas a situação dos animais resgatados permanece crítica.
Na capital Porto Alegre, quatro abrigos mantidos pela prefeitura ainda acolhem cerca de 500 cães e gatos que aguardam adoção. O município já chegou a contar com 40 abrigos conveniados, suportados por recursos técnicos e financeiros da administração municipal e que acolhiam até 2.900 animais.
A prefeitura enfatiza que, apesar da mobilização inicial da população para os resgates, o verdadeiro desafio atual é conseguir adoções, especialmente para animais adultos, idosos ou com deficiências, além de cães de médio e grande porte.
Deise Falci, protetora e voluntária com mais de 17 anos de experiência, observa que durante a enchente houve um aumento significativo no número de pessoas dispostas a ajudar financeiramente os resgates. No entanto, esse apoio diminuiu drasticamente após o fim do período crítico da catástrofe.
“A estrutura montada para acolher os animais resgatados foi eficaz no momento da enchente, mas agora enfrentamos um caos. As pessoas parecem ter esquecido da tragédia enquanto nós ainda lidamos com suas consequências”, declara Deise.
Outro fator que preocupa os voluntários é a preferência dos adotantes por animais de raça. Uma pesquisa realizada pela Quaest em colaboração com a PetLove revelou que 32% dos cães e 52% dos gatos com donos no Brasil são Sem Raça Definida (SRD). Essa tendência cria obstáculos para os abrigos que cuidam dos animais resgatados da enchente.
“Nós realizamos resgates de cães de raça provenientes de canis clandestinos e conseguimos rapidamente encontrar adotantes para eles. Já os animais da enchente permanecem há meses à espera por um lar apenas porque são vira-latas”, lamenta Deise.
Em homenagem ao primeiro aniversário da tragédia, a RBS TV lançou o documentário RBS.Doc, que retrata histórias de pessoas afetadas pela enchente, voluntários e moradores que perderam tudo. O filme destaca exemplos de solidariedade e união que emergiram na comunidade enquanto tentam se reerguer após a devastação.
No total, durante o mês crítico de maio, mais de 20 mil animais foram encaminhados aos abrigos. O governo estadual destinou R$ 7,2 milhões para apoiar os 95 municípios em calamidade devido às cheias. Desses recursos, R$ 5,6 milhões foram alocados como auxílio mensal às prefeituras para cobrir custos relacionados à alimentação e cuidados veterinários dos animais abrigados.
A nova plataforma criada pelo governo contém informações detalhadas sobre como adotar um animal resgatado da enchente. Residentes do Rio Grande do Sul podem visitar diretamente os abrigos locais. Para aqueles nos estados vizinhos de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, existe a possibilidade de transporte dos animais até cidades como Florianópolis, Curitiba e Cotia.
A situação continua a exigir atenção das autoridades e da sociedade civil para garantir um futuro melhor para os animais afetados pela tragédia.