UBSs de SP triplicam exames para prevenção do pé diabético em dois anos
O diabetes é uma doença crônica de alta incidência que acomete crianças, adolescentes, adultos e gestantes
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 23/04/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
A neuropatia diabética periférica, comumente referida como pé diabético, resulta da falta de controle adequado do diabetes e impacta negativamente a sensibilidade nos nervos das extremidades do corpo. Essa condição pode levar a complicações sérias, como úlceras e até amputações, tornando-se um tema central nas campanhas de conscientização sobre saúde pública.
Recentemente, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de São Paulo promoveram uma ação denominada “Caminhando com saúde – cuide dos pés”, na qual foram realizadas 7.790 avaliações do pé diabético. Este evento ocorreu na última quinta-feira (17) e evidencia um crescimento significativo nas avaliações desse tipo. Em dois anos, a Prefeitura de São Paulo conseguiu triplicar o número de exames realizados: subindo de 14.025 em 2022 para 41.896 em 2024. Nos três primeiros meses de 2025, já foram contabilizados 11.978 exames.
A iniciativa visa alertar os portadores de diabetes sobre a importância do cuidado com os pés. O diabetes é uma doença crônica que afeta indivíduos de diversas idades, incluindo crianças, adolescentes e gestantes. Esta condição ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente ou quando o hormônio produzido não é eficaz na regulação dos níveis de glicose no sangue.
A neuropatia diabética periférica é uma das consequências mais preocupantes do diabetes mal controlado, afetando diretamente a sensibilidade das extremidades, especialmente nas plantas dos pés. Estudos indicam que uma em cada quatro pessoas com diabetes pode desenvolver problemas significativos nos pés, o que torna fundamental a conscientização promovida pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que realiza busca ativa entre os pacientes que estão sob acompanhamento no Programa de Automonitoramento Glicêmico (PAMG).
O pé diabético se manifesta quando as flutuações nos níveis de glicemia comprometem a sensibilidade dos pés, resultando em ferimentos que podem se agravar e culminar em amputações. As avaliações realizadas durante as campanhas consideram não apenas a sensibilidade dos pés, mas também a circulação sanguínea e outros fatores que podem indicar riscos adicionais, como alterações na estrutura óssea. O objetivo é detectar precocemente problemas que possam resultar em úlceras ou gangrena.
Dentre os pacientes avaliados na última ação, 1.257 apresentaram alterações na sensibilidade e 453 tinham lesões nos pés. No contexto nacional, dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que mais de 282 mil cirurgias de amputação de membros inferiores foram realizadas entre janeiro de 2012 e maio de 2023; só em 2023, foram realizadas 31.190 cirurgias, conforme informações da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
O endocrinologista Carlos Guilherme Lyra Pereira, do Hospital do Servidor Público Municipal, enfatiza a importância dos cuidados diários com os pés por parte das pessoas com diabetes. “É crucial que esses pacientes estejam cientes da possibilidade de perda de sensibilidade e dos riscos associados a lesões que podem evoluir sem serem percebidas“, alerta.
Entre as recomendações para o autocuidado estão:
- Evitar andar descalço para reduzir o risco de cortes e ferimentos;
- Optar por calçados confortáveis; no caso de sandálias, evitar modelos com tiras entre os dedos;
- Manter os pés hidratados para prevenir fissuras;
- Secar bem entre os dedos após banho ou atividades aquáticas;
- Cuidar ao cortar as unhas para evitar machucados;
- Realizar autoexames diários nos pés para identificar possíveis ferimentos.
A prevenção e o tratamento são essenciais no manejo do diabetes, uma vez que ainda não há cura para a doença. O diagnóstico precoce contribui significativamente para a qualidade de vida dos pacientes. Um simples exame sanguíneo disponível nas UBSs pode identificar níveis glicêmicos anormais. Se necessário, o médico pode solicitar exames complementares e direcionar o paciente para uma equipe multidisciplinar.
Nos últimos cinco anos, por meio do Programa de Automonitoramento Glicêmico (PAMG), mais de 142 mil pacientes diabéticos insulinodependentes receberam insumos essenciais como tiras e seringas, além de canetas aplicadoras práticas; atualmente, esses insumos representam cerca de 70% da insulina distribuída aos usuários.
Os cidadãos podem acessar informações sobre as unidades da rede municipal através da plataforma Busca Saúde.