Turismo Industrial de São Bernardo rompe fronteiras

Em dois anos de programa, duas mil pessoas visitaram empresas na cidade, incluindo visitantes de outros Estados

Turismo Industrial de São Bernardo rompe fronteiras

Crédito: Raquel Toth

O carioca Danilo Mendonça, de 27 anos, decidiu que deveria conhecer a cidade de São Bernardo do Campo após ler reportagem sobre o Programa Turismo Industrial, iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo. Convidou alguns amigos, mas nenhum se interessou. Determinado, agendou a visita na Prefeitura e veio sozinho. Danilo trabalha na bilheteria de uma empresa de ônibus, o que facilitou a viagem e despertou ainda mais o seu interesse por conhecer a Scania, uma das 12 parceiras no projeto: “A parte que mais gostei foi da linha de montagem de chassis para ônibus. Valeu a experiência e, quando voltar e contar, meus amigos vão querer vir.”

O programa Turismo Industrial teve início em agosto de 2013. O coordenador do projeto, Fernando Bonisio, explica que a iniciativa da Prefeitura foi para “dar identidade turística à cidade”. A primeira empresa parceira foi a Wheaton, fabricante de produtos de vidro. Após um ano de atividades, outras indústrias aderiram ao programa e hoje, além de Scania e Wheaton, mais nove empresas fazem parte: Basf – We Create Chemistry (Tintas Suvinil e Fundação Espaço Eco); Formagis Gráfica e Editora; Friozem Logística; Masipack; MBB; Ominisis; Usina Henry Borden (Emae); Volkswagen; Zurich Termoplásticos.

Os resultados apontam que o programa avança além das fronteiras da região e alcança cada vez mais pessoas: nos dois primeiros anos, completados neste mês de novembro de 2015, foram registrados dois mil visitantes, vindos de seis Estados, além de um grupo de peruanos. A marca foi celebrada com bolo na Scania, com a presença dos secretários Hitoshi Hyodo (Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo) e Tarcisio Secoli (Serviços Urbanos), do gerente de Marketing e Eventos Júlio Soares de Abreu e do diretor de Assuntos Institucionais e Governamentais da empresa, Rogério Rezende.

A montadora já abria as portas para visitas técnicas e a grupos especiais, mas com o enfoque turístico começou há pouco mais de um ano, depois de procurada pela Prefeitura. Rezende explicou que as adaptações da empresa foram de logística, e que a parceria com o Poder Público tem sido importante. Aliás, o diretor é um entusiasta do projeto: “São Bernardo só não é mais atrativa por falta de conhecimento das pessoas, e esse é o trabalho que a Prefeitura está fazendo ao mostrar quais as possibilidades da cidade. E a gente faz parte do roteiro turístico.”

Grupo de 18 estudantes de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com idades entre 18 e 24 anos, tiveram o privilégio de participar da comemoração dos dois mil visitantes e tirar dúvidas direto com os responsáveis pelo projeto. Em clima descontraído, falaram do curso que fazem e explicaram a importância de conhecer, na prática, o que aprendem em sala de aula. Aproveitaram para perguntar ao diretor da Scania sobre o programa de estágio da empresa.

Em outubro, grupo de 12 pessoas veio de Goiás e passou a semana com a equipe que está à frente do programa Turismo Industrial. Tatiane dos Santos veio à cidade pela terceira vez, mas já organizou quatro grupos para a visita. Ela motiva o passeio pelo conhecimento e experiência que são adquiridos: “Impressiona a cultura do trabalho local, é uma produção enxuta.”

O ápice da visita à montadora é na hora de dirigir o caminhão carregado com 16.500 quilos. Para Roberta Pazzini, empresária de 31 anos de Goiás, a experiência foi uma quebra de paradigma: “É tão confortável (o caminhão) quanto meu carro”, disse, com o que concordou Carlos Eduardo Barone, estudante do Mato Grosso do Sul: “É sofisticado, tão robusto por fora e por dentro diferente.” A empresária, que também visitou outras empresas na cidade, se surpreendeu com a estrutura, organização e principalmente a limpeza. Disse que vai levar uma frase para aplicar em seu negócio: “O conceito do correto vem a partir de minhas atitudes.”

Sem habilitação – O carioca Danilo Mendonça não tem carteira de motorista. Tirou foto no caminhão, mas só pode andar como passageiro. Acredita que esse vai ser mais um motivo para correr e tirar a carteira de habilitação: “Assim, quando voltar poderei dirigir o caminhão.”

A visita na Wheaton é feita na base da caminhada, passando bem próximo de cada fase do processo, bem diferente da forma adotada na Scania, onde os visitantes vão de um ponto a outro em carrinho elétrico. Ao final da visita à fabricante de produtos em vidro, o consultor Alberto Pido, de 75 anos e 58 de empresa, explica passo a passo a fabricação de vidros e como é feita a mistura e a utilização da matéria-prima.

Com muito carisma e sabedoria, o consultor fala que o importante “é estudar e gostar do que se faz”. O estudante Gabriel Rocha Canisso, de Mato Groso do Sul, comparou as duas empresas e descreveu o processo da Weathon como mais rústico e surpreendente. “Parece massinha que vai sendo moldada aos poucos.”

Enquanto estão em São Bernardo, os visitantes aproveitam para ir a outros pontos turísticos do município, como Cidade da Criança e rotas gastronômicas, entre as quais, do Peixe e do Frango com Polenta.

O número de visitantes de cada companhia é limitado, e as normas de segurança impostas pelas empresas são obrigatórias. A agenda é controlada pelo Departamento de Turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo da Prefeitura de São Bernardo do Campo.

Mais informações sobre o Turismo Industrial pelo telefone: 4348-1000 ou email: turismo.industrial@saobernardo.sp.gov.br ou pelo site www.turismoindustrialsbc.com.br.

  • Publicado: 30/11/2015 16:18
  • Alterado: 16/08/2023 15:42
  • Autor: Graziela Guerra