Turismo em alta no Brasil impulsiona força das marcas nacionais

Crescimento do turismo no Brasil amplia visibilidade de marcas locais e exige atenção à proteção de marca e aos direitos de propriedade intelectual

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O Brasil vive um momento de expansão significativa no setor de turismo. Com destinos que vão de praias paradisíacas a reservas naturais, serras históricas, gastronomia regional e manifestações culturais únicas no mundo, o país tem atraído cada vez mais visitantes — nacionais e internacionais. Esse movimento traz consigo um impacto direto e extremamente positivo: a ampliação da visibilidade das marcas genuinamente brasileiras.

Produtos artesanais, alimentos típicos, bebidas regionais, moda autoral, cosméticos naturais e marcas de experiências locais têm ganhado espaço no radar do consumidor turista. É uma oportunidade valiosa para negócios que desejam crescer, fortalecer sua identidade e conquistar novos públicos. No entanto, esse cenário também exige atenção redobrada com a proteção da marca, da autenticidade dos produtos e dos direitos de propriedade intelectual.

O turismo como vitrine para marcas brasileiras

Quando um turista viaja pelo Brasil, sua experiência vai muito além de visitar pontos turísticos. Ele consome cultura, sabores, sensações e histórias. Cada produto adquirido — seja uma peça de artesanato, um cachaça premium, um biquíni artesanal ou um cosmético de ingredientes amazônicos — torna-se uma lembrança afetiva da viagem e um símbolo do país.

Esse vínculo transforma o turismo em uma das maiores vitrines para marcas regionais. Produtos que antes tinham alcance limitado passam a circular em outras cidades, estados e até países. É comum, por exemplo, turistas levarem caixas de cafés especiais, peças de cerâmica, sandálias de borracha premium, joias artesanais ou produtos de skincare feitos com ativos brasileiros para presentear amigos e familiares.

Essa expansão orgânica, impulsionada pelo turismo, é extremamente valiosa, mas só se sustenta quando a empresa está preparada para lidar com o aumento da visibilidade.

Valorização do produto genuinamente brasileiro

Turismo - Turistas - Viagem
(Imagem: Freepik)

O turista — especialmente o estrangeiro — busca autenticidade. Ele quer levar para casa algo que represente verdadeiramente a cultura, a natureza e o estilo de vida local. Isso impulsiona negócios que se dedicam à produção artesanal, ao trabalho manual, à inovação com ingredientes nativos e ao resgate de tradições brasileiras.

Porém, essa valorização também chama atenção de concorrentes que tentam copiar embalagens, nomes, slogans, receitas e até elementos culturais protegidos por lei. Por isso, a proteção da marca e dos diferenciais do produto precisa caminhar lado a lado com a estratégia de expansão.

Crescimento traz oportunidades, mas também riscos

Com o aumento da demanda impulsionada pelo turismo, muitos empreendedores ampliam suas operações rapidamente para atender o fluxo turístico. Isso é natural, mas exige cautela: crescer sem proteção pode resultar em perda de direitos, concorrência desleal e até impedimentos futuros.

Os principais riscos incluem:

• uso indevido do nome da marca por comerciantes locais;
• cópias de embalagens e rótulos artesanais;
• falsificação de produtos famosos em centros turísticos;
• concorrentes registrando marcas semelhantes antes do verdadeiro proprietário;
• apropriação indevida de expressões culturais ou geográficas protegidas.

Um erro comum é acreditar que, por se tratar de um produto regional ou artesanal, não há necessidade de registro. Na prática, justamente esses são os produtos mais vulneráveis.

Como o empresário deve se proteger nesse cenário

Para que a marca cresça de forma estruturada e segura, especialmente diante do avanço do turismo, algumas medidas são essenciais:

  1. Registrar a marca no INPI antes de expandir a produção ou vender para turistas.
  2. Investir na proteção de elementos distintivos, como rótulos, embalagens, logotipos e até receitas ou processos, quando aplicável.
  3. Monitorar centros turísticos e feiras locais para evitar falsificações ou cópias diretas.
  4. Criar canais oficiais de comunicação, reforçando autenticidade e origem.
  5. Evitar utilizar elementos culturais protegidos sem autorização (ex.: grafismos indígenas, expressões tradicionais).
  6. Formalizar parcerias e pontos de venda, garantindo contratos que preservem a integridade da marca.

O turismo como porta de expansão nacional e internacional

O aumento do turismo é uma janela extraordinária para marcas brasileiras se posicionarem globalmente. Produtos que contam histórias, carregam identidade e representam a essência do país têm grande potencial de conquistar novos mercados.

Mas esse crescimento precisa ser acompanhado de estratégia e proteção. A marca é a alma do produto — e, quando bem registrada, cuidada e fortalecida, torna-se um patrimônio valioso que ultrapassa fronteiras.

Luisa Caldas

Luisa Caldas
(Divulgação/ABCdoABC)

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 18/12/2025
  • Fonte: Fever