Túnel Santos-Guarujá: moradores do Macuco vivem incerteza e angústia
Comunidade teme desapropriações e se sente ignorada
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 18/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
A construção do túnel que ligará Santos a Guarujá, uma obra histórica para a mobilidade da Baixada Santista, tem causado apreensão e resistência entre moradores do bairro Macuco, em Santos. A previsão é que 65 imóveis sejam desapropriados para a implantação das vias de acesso ao túnel. No entanto, moradores da rua José do Patrocínio contestam o traçado atual e alegam que há alternativas viáveis que evitariam a remoção de famílias.
“Não somos contra o túnel, mas o local escolhido prejudica a vida de quem está aqui há décadas”, afirma Alcione Alves Rocha, presidente da Associação Comunitária do Macuco. Os residentes relatam dificuldade em vender ou reformar seus imóveis desde que o projeto começou a ser discutido com mais força, em 2013. Há quem questione também os valores oferecidos em eventuais indenizações — bem abaixo do mercado local.
Impacto no transporte tradicional e comércio local
Além das desapropriações, outra preocupação vem dos catraieiros, responsáveis por um serviço de transporte centenário na região. Com o novo túnel, a tradicional travessia feita por pequenas embarcações corre risco de perder seu valor econômico e histórico. “Temos 150 famílias que dependem disso. Ninguém veio nos ouvir até agora”, desabafa Fernando Miranda Ramos, presidente da Associação dos Catraieiros de Santos e Vicente de Carvalho.
As catraias operam desde 1907, oferecendo travessias entre Santos e Guarujá. Cada ponto de embarque pode valer até R$ 230 mil, funcionando como uma licença de operação. A incerteza sobre a demanda futura e a falta de diálogo com autoridades preocupam os trabalhadores.
Obra grandiosa, futuro incerto
Com um orçamento estimado em R$ 5,96 bilhões, sendo a maior obra do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o túnel terá cerca de 1,5 km de extensão, com 870 metros submersos. Será o primeiro túnel imerso do país e promete reduzir o tempo de travessia para apenas dois minutos de carro. Apesar do entusiasmo político, parte da população segue cética. “Já ouvimos falar desse túnel há quase cem anos, mas nunca saiu do papel”, comenta um morador, lembrando que o primeiro projeto data de 1927.
Enquanto isso, moradores como Maria Angélica Fernandes, que vive na mesma casa há décadas, esperam uma definição. “Estou cansada. Se for para sair, quero que seja com justiça”, diz. Para muitos, o progresso parece vir acompanhado de abandono.