Tumulto na Câmara: Presidente nega censura à imprensa
Após confusão com deputado, Hugo Motta afirma que não houve intenção de limitar a atuação da imprensa e anuncia sindicância para investigar excessos
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 11/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), veio a público na noite desta quinta-feira (11) para se posicionar sobre o grave tumulto que marcou a sessão plenária do dia, culminando na remoção forçada do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da Mesa Diretora. Em nota oficial, Motta assegurou que não houve intenção de censurar a atuação da imprensa durante o incidente, que interrompeu a transmissão ao vivo e gerou forte reação de entidades jornalísticas.
O episódio, que dominou o noticiário político, foi marcado por momentos de grande tensão, confusão e relatos de agressões. O fato de a transmissão da TV Câmara ter sido interrompida e de o vídeo da sessão não ter sido imediatamente disponibilizado no canal oficial da Casa no YouTube levantou sérias preocupações sobre a transparência das atividades legislativas e o respeito à atuação da imprensa.
A crise e a retirada do deputado

A crise, conforme detalhado no comunicado oficial da presidência, começou quando Glauber Braga se recusou a desocupar a cadeira da presidência. A recusa se deu após o horário regimental, às 16h02, quando outro membro da Mesa Diretora deveria assumir os trabalhos.
A escalada da tensão levou à suspensão oficial da sessão, anunciada pelo primeiro-secretário da Mesa, Carlos Veras (PT-PE), às 17h42. No entanto, a interrupção da transmissão gerou a maior controvérsia, pois ocorreu antes da suspensão formal.
O Mistério da transmissão interrompida: Impacto na atuação da imprensa

O comunicado da Câmara esclarece que, em casos de suspensão de sessões plenárias, a TV Câmara é automaticamente orientada a mudar a programação para a cobertura de outro evento legislativo em andamento. Contudo, foi observado que a transmissão foi interrompida antes dessa mudança programada, especificamente às 17h28, afetando o canal de televisão e o streaming no YouTube.
ALERTA: A interrupção da transmissão às 17h28 significa que o momento mais crítico do incidente — a remoção física de Glauber Braga — não foi capturado pelas câmeras oficiais da Casa.
Hugo Motta expressou seu pesar pelos inconvenientes causados aos jornalistas presentes no plenário. Ele reiterou que a interrupção da transmissão se deu de forma automática, e não como uma tentativa deliberada de limitar a atuação da imprensa. Motta anunciou que será instaurada uma sindicância para investigar possíveis excessos e determinar as causas exatas da falha na transmissão.
Segurança e a expulsão de repórteres
Outro ponto de forte crítica foi a retirada de jornalistas e assessores do plenário no momento do tumulto. A nota oficial informa que, seguindo as normas de controle de acesso estabelecidas pela Câmara desde 2020, a segurança legislativa foi responsável pela remoção dos profissionais para “assegurar a integridade dos presentes”.
Essa medida teve uma consequência direta na cobertura jornalística. Os repórteres foram retirados do plenário e não puderam registrar imagens do momento em que Glauber Braga foi expulso, limitando o registro aos vídeos feitos e compartilhados por parlamentares que permaneceram no local. A dificuldade imposta à atuação da imprensa neste momento crucial elevou o tom das críticas.
A presidência da Câmara caracterizou a postura de Glauber Braga como “inadequada”, alegando que sua atitude de não desocupar a Mesa comprometeu o fluxo normal dos trabalhos legislativos.
O episódio gerou reações imediatas e negativas de diversas entidades representativas da categoria, incluindo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), que publicaram notas repudiando a forma como a atuação da imprensa foi tratada durante a confusão.
O comunicado de Hugo Motta conclui reafirmando o compromisso da instituição com a transparência e a liberdade de imprensa, mas ressalta que esse compromisso deve ocorrer dentro do respeito às normas democráticas e regimentais da Casa. A sindicância prometida agora é o foco para esclarecer se houve, de fato, excessos no uso da força ou intenção de cercear o trabalho jornalístico.