Tuiuti: desfile com espírito crítico

O desfile da escola de samba Paraíso do Tuiuti entra para a história, com críticas à situação do país e enredos que atacam diretamente figuras políticas e medidas do Governo

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Com o samba enredo Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão? a escola criticou as condições de trabalho no país e, de quebra, o atual Governo, responsável pela reforma trabalhista aprovada no ano passado.

“Meu Deus! Meu Deus!

Se eu chorar não leve a mal

Pela luz do candeeiro

Liberte o cativeiro social”

A comissão de frente da escola trouxe O grito da liberdade, mostrando escravos saídos da senzala açoitados

O último carro veio com um vampiro vestido com a faixa presidencial, que lembrava Michel Temer. Ele estava em cima do carro chamado neo tumbeiro, ou seja, um navio negreiro dos tempos atuais.

Entre o último e o primeiro carro, o desfile de 29 alas e 3.100 componentes ainda trouxe os manifestoches, integrantes vestidos de verde e amarelo, cor que marcou os protestos a favor do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, sendo manipulados por uma mão invisível e encaixados em patos amarelos, símbolo das reclamações contra o antigo Governo feitas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Eles carregavam nas mãos panelas, outro símbolo dos protestos.

As críticas explícitas da Paraíso do Tuiuti deixaram em silêncio os comentaristas da TV que transmite ao vivo os desfiles de Carnaval. Enquanto as alas anteriores eram explicadas em detalhes, a dos manifestoches recebeu um rápido e único comentário de “manipulados, fantoches”, logo cortado para um “Jú, 120 [centímetros] de quadril”, em referência à passista mostrada em seguida na imagem.

Na terça-feira, a emissora tentou se “redimir” pela omissão de comentários durante a transmissão do desfile da escola e voltou ao tema:

“(A Tuiuti)  levou para a Avenida também um desfile com muitas críticas sociais e políticas. Entre elas, ao presidente Michel Temer e à reforma trabalhista.

A Paraíso do Tuiuti levou para a Avenida os 130 anos da Lei Áurea e perguntou: “a escravidão acabou mesmo no Brasil?”

Em fantasias e alegorias, operários obrigados a se desdobrar denunciavam as más condições de trabalho e criticavam a reforma trabalhista.

Carteiras rasgadas mostravam a falta de direitos no trabalho informal.

Protesto também num dos símbolos das manifestações contra o governo Dilma Rousseff. Os patos da Fiesp faziam referência aos panelaços da época.

No último carro, uma sátira a manifestantes marionetes, que são manipulados por grupos poderosos.

E destaque do “vampiro neoliberalista”, que vestia a faixa presidencial, numa alusão ao presidente Michel Temer.”

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 15/02/2018
  • Fonte: FERVER