TRUMP, TRUMP, TRUMP! repetem em uníssono os eleitores
Donald Trump é eleito presidente dos Estados Unidos, gera incertezas, abala o mercado financeiro mundial e declara: SEREI O PRESIDENTE DE TODOS OS AMERICANOS. No Brasil, dólar vai subir
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 09/11/2016
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O empresário Donald Trump será o 45º presidente dos Estados Unidos da América. Ele alcançou os 276 votos de delegados do colégio eleitoral na madrugada de hoje (9), depois de uma acirrada disputa com a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton. Trump assegurou maioria em estados decisivos como a Flórida, Carolina do Norte, Ohi e a Pensilvânia. Ele assumirá o cargo em 20 de janeiro.
Donald Trump declarou na manhã de hoje (9), em seu primeiro discurso como presidente eleito, que Hillary Clinton telefonou para ele para cumprimentá-lo, admitindo a derrota.
A vitória de Trump encerra uma das campanhas mais polarizadas da história recente dos Estados Unidos. A campanha foi marcada por acusações mútuas, envolvendo a vida pessoal dos candidatos e atingiu o auge quando um vídeo, de 2005, mostrava o candidato do Partido Republicano usando palavras desrespeitosas para se referir às mulheres. O resultado eleitoral surpreende porquê contraria as últimas pesquisas que mostraram Hillary Clinton com ligeira folga na liderança da corrida eleitoral.
Logo após o encerramento das votações, a diferença entre Donald Trump e Hillary Clinton já aparecia muito pequena, indicando que as expectativas dos democratas de derrotar facilmente Donald Trump estavam assentadas em bases fora da realidade. A tendência de vitória do republicano ficou mais acentuada às 23h30 de ontem (8), quando o candidato foi declarado vencedor na Flórida. Só aí Trump garantiu 29 votos a seu favor no colégio eleitoral.
Depois disso, quando os votos computados na Carolina do Norte e em Ohio indicavam vitória de Donald Trump, os assessores da campanha de Hillay Clinton começaram a ficar alarmados com a iminente derrota. Toda a estratégia que eles montaram para ganhar em Ohio, que fica na região Centro-Leste dos Estados Unidos, e mais os estados do Sul, fracassou. Ohio é um estado “oscilante”, que sempre indica o vencedor das eleições norte-americanas. Restava porém a Pensilvânia, que fica na região Centro-Atlântico. Mas lá também Hillary perdeu. Com isso, desmoronou o que restava de estratégia eleitoral de Hillary.
VITÓRIA DE TRUMP NOS EUA GERA INCERTEZA AO REDOR DO MUNDO
Para o mundo, a vitória de Donald Trump anuncia um clima geopolítico profundamente novo. De Berlim a Pequim, os líderes estão observando se o Trump dará continuidade às promessas populistas e protecionistas que poderiam travar o compromisso global dos Estados Unidos com políticas profundamente estabelecidas a respeito de comércio, defesa e imigração. Se assim for, a política externa dos Estados Unidos provavelmente se distanciará de seu vizinho México, e em direção à inimiga de longa data Rússia.
O antagonismo de Trump em relação aos arranjos de defesa dos EUA apresenta novos riscos para os aliados de Washington na Ásia e na Europa. E sua posição contrária ao livre comércio indica a possibilidade de uma guerra comercial com a China, a segunda maior economia global.
“O tom das relações econômicas entre a China e os Estados Unidos vai mudar da cooperação e da interdependência para a competição e o conflito”, disse Shi Yinhong, professor de relações internacionais da Universidade Renmin, em Pequim. O estilo de Trump e a retórica isolacionista também podem dar a Pequim “oportunidades estratégicas para a China explorar”, acrescentou.
“Trump é uma pessoa pragmática”, disse Wang Dong, professor assistente da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim. “Muitas coisas podem ser reavaliadas. Então, do ponto de vista da segurança nacional chinesa, isso é uma coisa boa”.
Muitos veem o resultado do voto com apreensão. Na Alemanha, Norbert Röttgen, um legislador influente junto aos democratas-cristãos da chanceler Angela Merkel, advertiu que os EUA poderiam perder seu papel como o eixo da ordem mundial ocidental. “Temos de esperar e ver como ele atuará no cargo”, disse Röttgen. “Eu acho que ele ainda não sabe como agir.”
O presidente francês, François Hollande, disse recentemente que uma vitória de Trump “complicaria as relações entre a Europa e os EUA”.
Na América Latina, o México está se preparando para um presidente que prometeu eliminar acordos comerciais, construir um muro e enviar para casa milhões de imigrantes sem documentos. Cuba também enfrenta novas preocupações, com Trump prometendo desfazer o histórico restabelecimento do presidente Barack Obama dos laços entre Washington e Havana, o que despertou novas esperanças no país para o investimento estrangeiro.
Nem todo mundo está preocupado. Os políticos de direita em toda a Europa veem a vitória do Trump como uma onda internacional de sentimento de confiança. Futuras vitórias eleitorais da direita europeia, segundo eles, ajudariam a estabelecer uma nova ordem transatlântica baseada na oposição aos acordos comerciais, na imigração e na integração política da União Europeia.
A presidência de Trump “permitirá que a diplomacia francesa se expresse num mundo mais equilibrado, menos dominado pela hegemonia americana”, disse Florian Philippot, uma das principais figuras da Frente Nacional, principal partido de direita da França.
O político holandês anti-islã Geert Wilders escreveu em sua página oficial no Twitter após Trump ganhar a disputa na Flórida e em Utah: “As pessoas estão retomando seu país. Como nós iremos”.
Os partidários britânicos de uma ruptura dura com a União Europeia se sentiram confortáveis com a recepção de Trump à causa. Obama deixou claro, antes do voto do Brexit em junho, que o Reino Unido iria para “trás na fila” de um novo acordo comercial com os EUA. Trump disse que um acordo com o Reino Unido seria uma das suas principais prioridades.
Durante meses, os diplomatas da sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas têm observado nervosamente Trump. Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, repeliu por três vezes os comentários críticos de Trump sobre a aliança.
No Oriente Médio, Trump é visto como um defensor do poder militar da América, apesar de seus votos de desvincular-se da região. Seu desejo de derrotar o Estado Islâmico, trabalhando com aliados regionais, tem despertado entre os combates na Síria esperanças de serem armados. Mas como candidato ele também prometeu melhores relações com a Rússia, que está fortemente empenhada em combater a oposição síria. Autoridades da região se preocupam com qualquer desengajamento dos EUA, que poderá se traduzir em ganhos para a Rússia em lugares como Síria e Turquia. Fonte: Dow Jones Newswires.
MERCADO FINANCEIRO
Os mercados financeiros desabaram em todo o mundo com a notícia da vitória de Donald Trump. O índice Nikkei do Japão caiu mais de 800 pontos, ou seja quase 5%. O índice da bolsa de Hong Kong perdeu 650 pontos, ou 2,8%. Enquanto isso, o peso mexicano – que já apresentava um comportamento frágil quando o candidato republicano subiu nas pesquisas durante a campanha – agora caiu para um mínimo de oito anos, de acordo com a agência de notícias Bloomberg. As aplicações financeiras estão se transferindo para o ouro. O peso mexicano está em queda livre.
Algumas emissoras de televisão nos Estados Unidos mostraram a população mexicana, em praças públicas, acompanhando com preocupação e tristeza a evolução da contagem de votos e já pressentindo a vitória de Donald Trump. O México foi um dos principais alvos dos ataques de Trump ao longo da campanha. Em agosto de 2015, ele defendeu a construção de um muro na fronteira com o México, financiado pelo governo mexicano, para evitar a entrada nos Estados Unidos de imigrantes ilegais e traficantes.
NO BRASIL, DÓLAR DEVE FECHAR EM R$ 3,60 EM 2016, ANTE PREVISÃO DE R$ 3,30
O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, avalia que a vitória de Donald Trump na eleição para a presidência dos Estados Unidos vai gerar uma grande indefinição no curto prazo no mundo. Perfeito considera que a reação natural será a fuga para ativos mais seguros, como o dólar. Dessa maneira, o Brasil deve sofrer com a depreciação do câmbio. Com a vitória de Trump, Perfeito alterou sua projeção para a moeda americana no final deste ano, de R$ 3,30 para R$ 3,60. Em relação às moedas fortes, Perfeito afirma que o dólar deve perder, pelo menos nesse primeiro momento. “Está todo mundo com medo, ninguém sabe quem o Trump é.”
A desvalorização do real pode impactar a inflação em 2017 e 2018 o que, segundo Perfeito, pode levar o Banco Central a ser ainda mais cauteloso na flexibilização da política monetária. “Se o real se depreciar fortemente, BC terá mais cautela para cortar juros. O interregno benigno no mercado internacional já não está tão benigno assim”, afirmou.
Para 2016, no entanto, o economista considera que a mudança na política norte-americana não deve impactar mais a inflação. Além da depreciação do câmbio, Perfeito considera que a Bolsa brasileira vai cair, mas, segundo ele, já haveria realização no fim deste ano, pois tanto a Bolsa teve grandes ganhos em 2016 quanto o dólar caiu bastante.
Perfeito ainda afirma que o resultado da eleição nos EUA coroa a descoordenação política vista no mundo atualmente. Ele ainda disse que é preciso agora ver quem é o verdadeiro Trump, porque até agora o presidente eleito foi um personagem.
Segundo o economista, o momento agora é de grande indefinição e que é preciso esperar para saber, por exemplo, qual será a equipe econômica para dar uma ideia melhor de como será o mandato de Trump.
DISCURSO DA VITÓRIA: SEREI O PRESIDENTE DE TODOS OS AMERICANOS
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, em discurso durante sua festa de vitória em Nova York, pediu que a nação se una e prometeu “representar cada cidadão de nossa terra “.
Ele afirmou que será presidente “para todos os americanos” e destacou que “é tempo para a América curar as feridas da divisão” e “tempo para que fiquemos juntos como um”
Trump ainda afirmou que sua administração será um momento de “crescimento nacional e Renovação”. “A América não se contentará mais com nada menos que o melhor”.