Trump reflete sobre os primeiros 100 dias de seu segundo mandato e traça expectativas futuras
Presidente dos Estados Unidos celebrou a queda da inflação no período, mas americanos se queixam de preços ainda elevados
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 30/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Na cidade de Warren, em Michigan, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou suas perspectivas para os próximos meses, à medida que se completam os primeiros 100 dias de seu segundo mandato na Casa Branca. Durante um discurso que se estendeu por uma hora e meia, Trump expressou otimismo quanto aos resultados de sua agenda econômica e sugeriu que as recentes tarifas recíprocas são apenas o início de uma série de medidas mais abrangentes.
“Estamos apenas começando. Você ainda não viu nada do que está por vir. Tudo está a caminho”, declarou Trump, enquanto celebrava a redução da inflação observada nos primeiros dias de seu governo. O presidente destacou que os preços de itens como ovos, gasolina, energia e medicamentos estão em declínio. No entanto, relatos da mídia local indicam que muitos americanos continuam insatisfeitos com os preços elevados.
Dados recentes mostraram uma queda no índice de confiança do consumidor, que caiu de 92,9 em março para 86 em abril, ficando abaixo das previsões feitas por analistas da Factset. Esta tendência sugere uma crescente desaprovação em relação ao governo Trump, especialmente em resposta às suas políticas comerciais e imigratórias.
As projeções para o crescimento econômico dos EUA também foram revisadas para baixo por bancos e consultorias financeiras em Wall Street, refletindo um clima de incerteza. O Instituto de Finanças Internacionais (IIF) agora prevê uma recessão leve para o segundo semestre deste ano.
Ian Bremmer, CEO da consultoria Eurasia, comentou sobre as implicações do discurso de Trump: “O impacto será significativo para todos. Embora leve tempo para que os efeitos se concretizem, já observamos mudanças no sentimento do consumidor e na popularidade do presidente”, afirmou em vídeo publicado em sua conta no X.
Trump reiterou que sua prioridade não reside no mercado financeiro, mas sim nas preocupações da população. Ele disse: “Gosto de Wall Street, mas prefiro ainda mais a Main Street”, utilizando um termo que se refere à economia local.
O presidente também voltou a criticar o Federal Reserve (Fed) e seu presidente Jerome Powell. “A inflação está basicamente controlada e as taxas de juros caíram, apesar de eu ter alguém no Fed que não está realizando um bom trabalho”, afirmou Trump. Em seguida, ele enfatizou a importância da independência do banco central, embora tenha insinuado ter mais conhecimento sobre taxas de juros do que Powell.
A Capital Economics projetou que os próximos 100 dias da administração Trump deverão ser marcados por uma transição do foco nas tarifas comerciais para questões fiscais. Segundo o economista-chefe da instituição para os EUA, Paul Ashworth, essa mudança poderia ser benéfica tanto para a economia quanto para ativos americanos. Contudo, ele alertou sobre riscos fiscais associados a possíveis impasses no Congresso relacionados ao teto da dívida.
Scott Besset, secretário do Tesouro dos EUA, expressou sua expectativa de que um projeto fiscal seja aprovado até o dia 4 de julho. Por outro lado, Trump já declarou que responsabilizará os democratas caso não consiga um acordo favorável sobre cortes de impostos.
No mercado financeiro, analistas esperam uma recuperação dos ativos americanos após um período turbulento causado pelas tarifas impostas pelo governo. John Higgins, economista-chefe da Capital Economics para Mercados, acredita que a mudança de foco na política fiscal será benéfica para ações e o dólar americano nos próximos meses.
A interação entre os mercados financeiros e a administração Trump será crucial nas próximas semanas. Higgins sugere que as empresas podem adotar “barreiras eficazes” contra as políticas propostas pelo presidente.
Recentemente, a Amazon foi mencionada na imprensa como potencialmente repassando os custos das tarifas aos consumidores; no entanto, a empresa negou essa intenção. Durante seu discurso, Trump comentou sobre suas interações com Jeff Bezos e mencionou investimentos significativos feitos por grandes empresas de tecnologia como Apple e Nvidia.
No Vale do Silício, líderes empresariais têm adotado uma postura mais cautelosa diante das novas tarifas, optando por atuar nos bastidores ao invés de confrontar publicamente o governo. Enquanto isso, Trump elogiou Elon Musk por suas contribuições ao governo através do Departamento de Eficiência Governamental (Doge), embora especialistas da Capital Economics considerem que esta iniciativa pode não ter obtido resultados significativos até agora.