Trump pressiona Fed por corte urgente de juros para evitar recessão
Declarações aumentam tensões sobre independência do banco central e afetam os mercados financeiros dos Estados Unidos
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Na última segunda-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou preocupações sobre a possibilidade de uma desaceleração econômica no país, caso a taxa de juros não seja reduzida de maneira urgente. Em uma postagem na plataforma Truth Social, Trump direcionou críticas ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, enfatizando que, apesar da tendência de queda dos custos, não há indicativos claros de inflação. “A menos que o Sr. Too Late [tarde demais] reduza as taxas de juros AGORA, podemos enfrentar uma DESACELERAÇÃO da economia”, afirmou.
Críticas ao Fed e ameaça de demissão
Essas declarações se somam a uma série de críticas que Trump tem feito a Powell nos últimos tempos. O presidente não hesitou em mencionar a possibilidade de demitir o dirigente do Fed devido à sua gestão da política monetária. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, comentou na última sexta-feira que essa demissão está sendo considerada pela equipe de Trump.
Atualmente, a taxa de juros de referência do banco central americano se encontra entre 4,25% e 4,50%, um nível mantido desde dezembro do ano passado após vários cortes implementados em 2022. Trump e seus assessores têm pressionado o Fed a retomar os cortes nas taxas para facilitar o acesso ao crédito e estimular a economia.
Fed mantém cautela diante da inflação
Entretanto, o Federal Reserve permanece cauteloso em relação à inflação e está avaliando os impactos potenciais das tarifas sobre importações estabelecidas pelo governo atual. Especialistas afirmam que é provável que esses aumentos de custo sejam repassados ao consumidor final.
Na semana anterior, Trump havia acusado Powell de fazer política ao não baixar a taxa de juros e afirmou ter o poder de destituí-lo “muito rapidamente”. Ele também sugeriu que a saída do presidente do Fed deveria ocorrer imediatamente, alegando que o banco central deveria ter seguido o exemplo do Banco Central Europeu (BCE) e reduzido as taxas anteriormente. Para Trump, Powell tem demonstrado um comportamento “sempre atrasado e errado”.
A intensidade das críticas levantou preocupações sobre a independência do Fed, instituição que deve operar livre de pressões políticas. As incertezas geradas pelas declarações de Trump já impactaram os mercados financeiros, com o índice S&P500 registrando uma queda superior a 2% no mesmo dia em que suas declarações foram divulgadas.
As tensões aumentaram ainda mais após Powell afirmar durante um evento no Clube Econômico de Chicago que é responsabilidade do Fed garantir que um aumento temporário nos preços não evolua para um problema inflacionário persistente. Ele destacou que a “independência do Fed é amplamente reconhecida e apoiada em Washington e no Congresso”, onde é crucial.
De acordo com a legislação vigente interpretada pela Suprema Corte dos EUA, o presidente não possui autoridade para demitir diretores de agências reguladoras como o Fed, exceto por justa causa. O termo legal implica que seria necessário provar irregularidades cometidas pelo diretor para efetuar tal demissão. David Wessel, diretor do Centro Hutchins de Política Fiscal e Monetária, elucidou essa questão em artigo para o Instituto Brookings.