Trump não irá se envolver após carta de Flávio Bolsonaro
A tensão política nacional ecoa no exterior, mas Washington mantém cautela. Os EUA não irão se envolver na crise gerada pela carta golpista de Flávio Bolsonaro, segundo declaração oficial da Casa Branca.
- Publicado: 28/10/2026 21:31
- Alterado: 28/10/2026 21:39
- Autor: Leonardo Nogueira
O presidente norte-americano Donald Trump descartou qualquer intervenção direta na disputa narrativa brasileira. O posicionamento ocorre horas após o candidato derrotado nas urnas publicar um manifesto proclamando-se, inicialmente, presidente eleito e, logo depois, “líder do Brasil”.
Questionado diretamente sobre o teor da carta de Flávio, Trump evitou endossar a retórica do senador do PL. A estratégia é isolar o atrito institucional.
“Eu não vou comentar sobre isso, mas sei que nós autorizamos a entrada dele no país. Então, veremos.”
A neutralidade discursiva encontrou limites rápidos. O presidente republicano não poupou críticas à logística da recente votação, apontando supostas irregularidades pelo quarto pronunciamento consecutivo.
A postura de Trump frente ao resultado eleitoral

O chefe de Estado estadunidense reforçou que não possui favoritos no cenário sul-americano atual. O foco de suas críticas recai na decisão judicial que prorrogou o horário do segundo turno no último domingo.
Trump justificou o afastamento alegando respeito à soberania territorial. “Eu conheço o Lula, eu conheço o Flávio um pouco, eu conheço o pai dele muito bem. O pai foi tratado muito mal. Mas eu não me envolvi. É o Brasil, um outro país.”
Na noite de terça-feira (27), a Casa Branca ignorava o paradeiro exato do político brasileiro. Trump especulou publicamente que a comitiva poderia estar na Argentina, assegurando, porém, o livre acesso do grupo ao território estadunidense.
Uma autoridade do Departamento de Estado chancelou a permanência horas depois. O governo americano garantiu vistos regulares para Flávio e toda a família.
Contradições na fuga e a emissão do visto humanitário
As decisões do senador oscilam violentamente. Na segunda-feira (26), após perder a disputa contra Lula (PT), ele gravou um vídeo afirmando que permaneceria no Brasil para liderar a oposição. Reclamou amargamente da ordem expedida por Alexandre de Moraes, do STF, que reteve seu passaporte. Dois dias depois, embarcou em direção à Flórida.
O argumento central da carta de Flávio desaba frente aos números oficiais. A prorrogação da votação após as 17h contabilizou apenas 34 mil votos no país inteiro, o equivalente a 0,03% do total. O parlamentar, no entanto, ancora seu documento nessa prorrogação para alegar nulidade no pleito.
Status migratório nos Estados Unidos
A entrada em Miami dispensou ritos consulares tradicionais. Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira alfandegária nesta quarta-feira (28) amparado por um registro humanitário. Essa manobra jurídica garante a permanência ininterrupta do grupo familiar por um ano em solo norte-americano.
Os registros da agência de proteção dos EUA confirmam a chegada. O documento oficializa o desembarque em outubro de 2026, estendendo a validade de permanência autorizada até outubro de 2027. O código alfandegário atrelado ao nome do parlamentar é “DT”. A sigla atesta o caráter excepcional e humanitário da liberação, garantindo que os EUA não irão se envolver politicamente na extradição sem uma escalada criminal formal.